Título: Desemprego cai e renda sobe em 2005
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 27/01/2006, Brasil, p. A3

Conjuntura Taxa de 9,8% é a menor registrada em três anos; salário médio do trabalhador cresceu 5,8%

Os indicadores do mercado de trabalho, em 2005, apresentaram melhora significativa em relação aos dois primeiros anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro, a taxa de desemprego cedeu ante novembro por fatores sazonais, fechando em 8,3%, o menor patamar de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), iniciada em março de 2002. A média do ano, de 9,8% da população economicamente ativa (PEA), também ficou abaixo de 2004 (11,5%) e 2003 (12,3%), confirmando a tendência de recuperação do mercado de trabalho, como reconhece Cimar Pereira, responsável pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cerca de 2,16 milhões de pessoas procuraram e não encontraram emprego ao longo do ano nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre, que abrigam uma população economicamente ativa (PEA) de 22 milhões. O rendimento médio real dos trabalhadores também apresentou sinais de melhora - cresceu 1,8% em relação à novembro e 5,8% ante dezembro de 2004, atingindo na média um valor de R$ 972,61, em 2005. Em 2004, a renda média ficou em R$ 953,51, enquanto em 2003 chegou a R$ 960,70. "Essa melhora da renda pode ser explicada pela queda da inflação, no período, o que aumentar o poder de compra da população e movimenta a economia", disse Pereira. O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ressalta que, apesar do crescimento do emprego, o rendimento real da população ainda não atingiu os níveis correspondentes a 2003. "O aumento no número de postos de trabalho, em 2005, foi um fator positivo, mas o rendimento deixou a desejar. Também vale ressaltar que a queda da taxa de desocupação observada no fim do ano passado é compatível com o padrão de sazonalidade da taxa de desemprego no país. Uma possível indicação de melhora originada dos resultados de dezembro somente deverá ser confirmada nos próximos meses", disse Almeida. A pesquisa apontou crescimento médio da população ocupada de 3%, ante uma evolução média mensal de 3,2%, em 2004. Nos primeiros seis meses do ano, a ocupação média mensal cresceu 3,7% na comparação com o mesmo período de 2004. Mas no segundo semestre o ritmo de expansão no número de empregos apresentou um arrefecimento, ficando em 2,2%. "Houve uma frustração no mercado de trabalho. Isso pode ter correlação com o crescimento do PIB abaixo do esperado", explicou Pereira. Apesar da desaceleração no número de contratações no segundo semestre, um dado que chama a atenção foi o aumento da participação média dos empregados com carteira assinada no total da população ocupada, que passou de 39,3%, em 2004 para 40,3%, no ano passado. Em 2005, a pesquisa captou 7,9 milhões de trabalhadores formais nas seis regiões metropolitanas do país, ante 7,5 milhões no ano anterior, o que representa um crescimento médio de 5,6%. Os jovens foram os que mais enfrentaram dificuldades para conseguir emprego nos três primeiros anos de governo Lula, de acordo com a pesquisa. A população entre 10 e 24 anos reduziu sua participação entre os ocupados de 19,5% do total em 2003 para 18,2% em 2005. A lacuna deixada pelos jovens acabou sendo ocupada pelos empregados com 50 anos ou mais, que aumentaram sua participação de 16,8% para 18% na mesma comparação. O IBGE destaca que no segundo semestre de 2005 a população ocupada com mais de 50 anos de idade superou o contingente médio mensal de jovens ocupados. O Rio de Janeiro apresentou a maior participação média mensal de ocupados com 50 anos ou mais no total dos empregados (21,8%), influenciado basicamente pela maior concentração de pessoas em idade ativa nesta faixa etária. Além de buscar trabalhadores mais experientes, o mercado de trabalho também exigiu um nível mais alto de escolaridade. Os empregados com 11 anos ou mais de estudo aumentaram sua participação na população ocupada de 46,7% em 2003 para 50,3% em 2005.