Título: Cassações de Luizinho e Brant passam no conselho
Autor: Thiago Vitale Jayme e Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 27/01/2006, Política, p. A5
O Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem os relatórios recomendando as cassações dos deputados Professor Luizinho (PT-SP) e Roberto Brant (PFL-MG). O relatório contra Luizinho foi aprovado por nove votos a cinco. A votação da cassação de Brant foi mais apertada: oito a sete, com o voto de Minerva do presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP). Luizinho é o primeiro deputado do PT a ser julgado depois da cassação de José Dirceu (PT-SP) e é acusado de ser beneficiário de R$ 20 mil do esquema montado por Marcos Valério Fernandes de Souza. O dinheiro foi sacado por um assessor do seu gabinete. O petista diz que não sabia da operação e que os recursos abasteceram campanhas de vereadores do PT no ABC paulista, sua base eleitoral. Em seu parecer, Canedo escreve: "Houve, sem dúvida, intermediação do parlamentar no saque efetivado pelo seu ex-assessor. Nenhum funcionário tem autonomia para obter recursos sem a intermediação do agente político". "O voto contradiz o relatório. Isso é inusitado. É de uma arbitrariedade, é de uma violência. O conselho deve demonstrar que cada caso é um caso. Ele não pode querer dar a pena de morte para quem bate uma carteira e para quem assassina ou para quem, ao estar passando na rua, é confundido", afirmou Luizinho no dia 19, quando o relatório foi apresentado. Ele explicou que se considera o "confundido" nesses três casos. "Continuarei lutando e vou até as últimas conseqüências para poder demonstrar que não tive nenhuma participação", reiterou. Já Roberto Brant disse que está "absolutamente certo de sua absolvição" no plenário da Câmara. "Este resultado foi uma vitória. Não estou magoado com o presidente do conselho que deu o ´voto de Minerva´. Estou tranqüilo, tenho certeza de que serei absolvido no plenário", disse Brant. Apesar de demonstrar confiança na sua absolvição, Brant reafirmou sua intenção de deixar a vida pública. "Não vou me candidatar novamente. Já abandonei a vida pública, tendo ou não o meu mandato cassado. Vou me dedicar a outras coisas, fazer assessoria, consultoria, trabalhar em alguma empresa privada", afirmou. A sessão do Conselho de Ética sobre o caso Brant foi tumultuada. Os líderes do PFL e PSDB estiveram presentes e fizeram pressão para a absolvição de Brant. O PSDB foi criticado por ter substituído de última hora o deputado Gustavo Fruet (PR) pelo deputado Jutahy Júnior (BA). O relator do processo, deputado Nelson Trad (PMDB-MS), acabou batendo boca com o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), que não permitiu que Trad replicasse a defesa de Brant. (Com agências noticiosas)