Título: Petros contesta venda da Ripasa na Justiça de SP
Autor: André Vieira
Fonte: Valor Econômico, 27/01/2006, Empresas &, p. B2

Papel e celulose

A Petros, fundo de pensão da Petrobras, está contestando na Justiça a operação de venda da Ripasa para a Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Suzano Papel e Celulose. No processo, o fundo de pensão alega que os novos controladores promoveram uma "operação fraudulenta" ao comprar conjuntamente a Ripasa, em novembro de 2004, por US$ 709 milhões. A ação, ajuizada no dia 20, corre na 19ª Vara Civil da Justiça de São Paulo. De acordo com o processo, segundo apurou o Valor, o fundo de pensão alega que VCP e Suzano utilizaram notas promissórias na subscrição do capital da Ripar, a empresa criada por eles, para adquirir a Ripasa. A Ripar teve seu capital aumentado em R$ 1,1 bilhão. Com essa operação, a Petros argumenta que os acionistas minoritários assumiram uma dívida a vencer - as notas promissórias - em troca de seus ativos, os papéis da Ripasa. Pela operação montada por VCP e Suzano, os acionistas de Ripasa seriam incorporados pela Ripar. E, num segundo momento, a Ripar seria cindida em partes iguais para permitir a troca de ações pelos papéis dos novos controladores. Isso traria prejuízo, segundo o fundo, aos acionistas minoritários. Além disso, alega o fundo, não foi feito nenhum laudo de avaliação para medir o valor da Ripar. O laudo da Ripasa foi considerado na avaliação da Ripar. A Petros é um dos maiores acionistas minoritários da Ripasa, com cerca de 5% do capital total da fabricante de papel e celulose, atrás apenas da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil. Por meio de sua assessoria, a Petros confirmou a ação que corre na Justiça, mas não quis se manifestou sobre o assunto. A VCP informou não ter sido notificada sobre o processo. Embora também não tenha sido notificada, a Suzano disse estranhar a ação promovida pela Petros. "Nenhum acionista irá receber dívida, apenas ações dos novos controladores. A operação não afeta os minoritários", garantiu o vice-presidente da Suzano Holding, João Nogueira Batista. Segundo ele, os novos controladores decidiram criar a Ripar apenas como um "veículo" para a aquisição da Ripasa. "Na época, não se sabia o que faríamos com essa empresa (Ripar)", disse. Ele afirmou desconhecer a existência de notas promissórias no capital da Ripar. O executivo da Suzano disse ainda que as empresas cumpriram com a necessidade de fazer as avaliações das três empresas envolvidas na operação - Ripasa, Suzano e VCP. A conclusão da operação de venda da Ripasa está suspensa desde agosto pela Justiça de São Paulo em outro processo, ajuizado pelos fundos de investimentos Polo Capital, Fator Sinergia e Fator Sinergia II. Eles exigem uma oferta pública de aquisição de ações antes da incorporação da empresa. A assembléia que previa a incorporação da Ripasa pela VCP e Suzano foi suspensa, mesmo depois de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ter dado sinal verde para a conclusão da operação. Na semana passada, a VCP informou a analistas que está estudando um "plano B" para o imbróglio jurídico.