Título: Vale estuda nova unidade de pelotização na China
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 27/01/2006, Empresas &, p. B6

Siderurgia Custo será decisivo para a concretização da fábrica chinesa

Ao anunciar ontem o programa de investimento da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) para 2006, de US$ 4,6 bilhões, o maior da história da mineradora, Roger Agnelli, presidente-executivo da companhia, confirmou que estuda nova parceria com os chineses, desta vez para a construção de uma planta de pelotização na China. "Se for provado que o custo do projeto é substancialmente inferior ao do Brasil vamos analisar, avaliar e investir com parceiros chineses numa nova planta de pelotização na China. Mas, temos que levar em consideração que teremos que levar o minério daqui para lá também. Por enquanto são só estudos", afirmou o executivo. A Vale do Rio Doce, segundo Agnelli, está muito satisfeita com as sociedades que mantém com os chineses em mina de carvão e em coqueria, sendo que esta última começará a operar em julho deste ano. A prioridade dos investimentos da Vale este ano continuará a ser na área de minerais ferrosos, pois conforme destacou o principal executivo da maior mineradora de minério de ferro do mundo, o mercado de minério e pelotas continua muito demandado e apertado, o que leva a uma expectativa de um aumento no preço do minério de ferro este ano entre 25% e 30%. Agnelli disse, durante a entrevista, que está surpreso com a informação de que mineradoras, nas negociações em curso no Japão, estariam pleiteando um aumento de 30% no minério de ferro para 2006: "Estou surpreso com esta informação. Mas, as negociações estão em curso e ainda tem muita água para rolar". Para a Vale, quem ditará as regras do novo preço será o mercado. Preocupada em atender sua clientela, a companhia destinou US$ 2,1 bilhões, ou 46% do valor do investimento total do ano, para ampliar a produção de minério de ferro e de pelotas. Serão aplicados US$ 1,4 bilhão em projetos de minério de ferro e US$ 374 milhões na expansão da produção de pelotas, o restante será destinado à área de manutenção. A estimativa é que a Vale do Rio Doce produza, em 2006, 264,4 milhões de toneladas de minério de ferro, ante 233,2 milhões no ano passado. A mina de Carajás, que deve atingir este ano 85 milhões de toneladas ante 70 milhões em 2005, além da mina de Brucutu, em Minas Gerais e a nova planta de pelotização em Itabirito (MG) são os projetos que vão absorver mais recursos em 2006. Só em Carajás serão aplicados US$ 330 milhões, US$ 310 milhões em Brucutu e US$ 338 milhões na nova pelotizadora de Itabirito, com capacidade prevista de 7 milhões de toneladas/ano. No programa de investimentos da companhia, constam os projetos em curso da Usina Siderúrgica do Ceará (USC) e da companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) onde a Vale é sócia minoritária. Não foi incluído o projeto da Siderúrgica do Maranhão, projeto em parceria com a chinesa Baosteel. Agnelli disse que ainda há muito a ser decidido neste caso como licença ambiental e o terreno para instalação da usina. A CVRD vai investir US$ 491 milhões em pesquisa e desenvolvimento, 69,3% a mais que no ano passado. Deste total, 43% serão em outros países, na América do Sul , África, Ásia e Austrália. A companhia dispõe de estudos para desenvolvimento de depósitos de potássio, fosfato, níquel, manganês e carvão. O carvão poderá ser um dos focos da Vale este ano. Entre os projetos em estudo, o mais avançado é justamente o de carvão de Moatize, em Moçambique, com previsão para conclusão do estudo de viabilidade para julho, a ser aprovado pelo conselho da Vale do Rio Doce, também no segundo semestre.