Título: Semente transgênica deve avançar na safra 2006/07
Autor: Cibelle Bouças e Fernando Lopes De Sorriso
Fonte: Valor Econômico, 27/01/2006, Agronegócios, p. B12

O aumento nos custos de produção da soja no Mato Grosso e as perspectivas de menor rentabilidade no setor - por causa dos preços internacionais dentro da média histórica e do dólar abaixo de R$ 2,50 - devem estimular mais produtores a plantar soja geneticamente modificada na próxima temporada, a 2006/07. A oferta de sementes transgênicas certificadas, que atingiram 600 mil sacas no Estado em 2005, será ampliada para 1,5 milhão de sacas este ano, para atender à safra 2006/07, de acordo com Dario Minoru Hiromoto, diretor superintendente da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). "As sementes certificadas plantadas no Estado estão apresentando produtividade superior à das variedades convencionais, o que está atraindo o interesse dos produtores para adotar a tecnologia", afirma Hiromoto. Segundo ele, as variedades transgênicas têm produtividade superior a 2.600 quilos por hectare e exigem menos uso de defensivos. Hiromoto informa que em 2005 9% das sementes consumidas no Estado (que utiliza 8 milhões de sacas por ano) eram transgênicas. Mas neste ano o índice deve superar 50%, chegando a 4 milhões de sacas. Ele observa que algumas indústrias ainda preferem comprar soja convencional porque conseguem prêmios com a venda do produto no exterior, mas devido à baixa rentabilidade da soja, os produtores tendem a comprar sementes transgênicas para reduzir custos de produção. Para fazer frente à demanda, a Fundação MT, está lançando no mercado quatro variedades de sementes transgênicas, resistentes ao nematóide de cisto e à galha (praga que afeta a raíz da planta), todas com tecnologia Roundup Ready, licenciada pela multinacional Monsanto e que oferece tolerância ao glifosato. As variedades irão se somar às sete já oferecidas pela Fundação MT, que hoje pesquisa 450 mil variedades por ano. "Em 2009, colocaremos no mercado sementes resistentes à ferrugem da soja, que já estão em estudos em laboratório", diz Sérgio Suzuki, pesquisador da empresa.(CB)