Título: Greenspan se despede em meio a boas perspectivas
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 30/01/2006, Internacional, p. A9

Apesar de o crescimento dos EUA ter sido o menor em três anos (3,5% em 2005 contra os 4,2% de 2004), o presidente do Federal Reserve (Fed, BC americano), Alan Greenspan, se despedirá de suas funções amanhã com mais um aumento de juros e com perspectivas animadoras sobre a economia. Todos os analistas ouvidos pela agência de notícias Reuters disseram esperar que a última reunião do Fed dirigida por Greenspan eleve os juros de 4,25% para 4,5%. A próxima reunião, em março, já deve ser presidida por Ben Bernanke. Mesmo com o resultado desapontador do PIB, o presidente do Fed afirma estar confiante de que a economia esteja em um ritmo razoavelmente sólido. Durante a semana, espera-se que essa avaliação seja corroborada por números positivos no emprego e na indústria de transformação. Analistas dizem que mais 250 mil empregos foram criados em janeiro, mais do que o dobro dos 108 mil de dezembro. A previsão, feita pelos economistas consultados pela Bloomberg, aponta para o melhor começo de ano na área desde 2000. O relatório do Departamento do Trabalho sai na sexta. As fábricas estariam reagindo ao aumento da demanda. Os números da indústria de transformação a serem divulgados depois de amanhã devem mostrar aumento nos pedidos e na produção, segundo prognóstico também feito pela Bloomberg. A inflação deve continuar a ser a principal preocupação para Bernanke -prevê-se que ele seja confirmado pelo Senado nesta semana como sucessor de Greenspan. "A demanda está tendo um repique forte. O Fed continua preocupado com as pressões inflacionárias", disse Scott Anderson, economista da Wells Fargo. "O uso da capacidade instalada está alto e nos aproximamos do emprego pleno. Sendo assim, há grande razão para o Fed ir adiante [com sua política de aumentos] nesta semana." Para Anderson, o resultado ruim do quarto trimestre (crescimento do PIB de 1,1%, o menor para o período desde o quarto trimestre de 2002) mostra apenas que "a economia deu um passo para trás e dois para a frente". Hoje, o Departamento de Comércio deve divulgar seu relatório relativo ao consumo. Espera-se que ele indique um aumento de 0,7% nos gastos pessoais dos americanos em dezembro, puxado principalmente pelas vendas da época de festas e por automóveis novos. Esse aumento, se confirmado, seria o maior em cinco meses. Em novembro, foi e 0,3%.