Título: Transferências de brasileiros crescem 122% em cinco anos e batem recorde
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 30/01/2006, Finanças, p. C1

As transferências de recursos ao país por brasileiros que vivem no exterior cresceram 122% em cinco anos, atingindo o volume recorde de US$ 4,051 bilhões em 2005, segundo dados divulgados pelo Banco Central. A forte expansão é explicada pela maior presença dos bancos brasileiros no exterior, que ocuparam parte do mercado antes dominado por mecanismos informais de transferências de recursos. "Os bancos estão disputando de forma mais acirrada esse mercado", avalia o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "A concorrência leva à queda das tarifas, incentivando o uso de mecanismos formais." O BC ainda não divulgou o volume de transferências unilaterais por países, mas dá para ter uma idéia da origem dos recursos a partir de dados sobre remessas para manutenção de residentes. Em 2005, entraram no Brasil US$ 2,480 bilhões nessa rubrica, dos quais 54,37% dos Estados Unidos, 24,61% do Japão e 21,02% em outros países. O maior crescimento das remessas para a manutenção de residentes em 2005 foi no Japão, de 46,23%, para US$ 610 milhões. "O Japão é o mercado em que a concorrência é mais agressiva, com a presença de todos os grandes bancos que atuam no Brasil", diz o diretor-executivo do Bradesco, Cristiano Queiroz Belfort. O maior assédio dos bancos está quebrando a resistência que, de modo geral, havia entre os cerca de 280 mil brasileiros que vivem no Japão em usar mecanismos formais de remessas. Boa parte desse contingente de emigrantes deixou o país ainda antes do Plano Real, quando a moeda nacional era instável e a economia sujeita a surpresas, como o confisco do Plano Collor. Assim, tinham preferência por trazer moeda forte ao país. Aos poucos, os bancos quebraram as resistências dos brasileiros, mostrando os riscos de entrar no Brasil carregando dinheiro em espécie. A concorrência acirrada também está levando à queda das tarifas, desestimulando o uso de meios informais de remessas. Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de 2003 aponta que as tarifas fixas são o principal obstáculo ao uso de mecanismos formais de transferência de recursos, principalmente para pequenas quantias. Nesse aspecto, o início da operação da Caixa Econômica Federal nas transferências internacionais é um marco. O banco fixou uma tarifa de 2,52% dos valores nas transferências por cartão de crédito internacional - sistema estendido para operações nas agências do BCP Milenium, o parceiro da Caixa nos EUA. Os concorrentes baixaram as tarifas e, hoje, a Caixa trabalha com preços ainda mais agressivos, como uma promoção temporária que permitia transferências com uma tarifa fixa de apenas US$ 1. "As taxas muito mais atrativas que as do mercado têm gerado uma competitividade interessante para os emigrantes brasileiros", diz o presidente da Caixa, Jorge Mattoso. A maior presença dos bancos no mercado levou também à baixa de tarifas de agentes informais, que remetem dinheiro pelo "black". Surgiram ofertas de transferências com tarifa zero, com os custos sendo cobertos apenas pela diferença entre as taxas do mercado legal e o "black". O aperto dos organismos supervisores e da Polícia Federal tem desestimulado, entretanto, esse tipo de remessa de recurso. O gerente de desenvolvimento de operações internacionais do Banco Itaú, Ricardo Pacheco, lembra que começa uma mudança no perfil dos brasileiros que vivem no Japão, com a emigração de trabalhadores mais qualificados. "Esses brasileiros são mais bem remunerados, por isso a tendência é as remessas crescerem ainda mais." Em 2005, há também o efeito da valorização do câmbio, que obriga ao envio de maiores somas em moeda estrangeira para a manutenção de parentes que vivem no Brasil. Os bancos colhem ainda os frutos dos pesados investimentos realizados nos últimos anos em tecnologia. "Somos capazes de transferir dinheiro do Japão para uma conta no Brasil em apenas 15 minutos", disse o diretor da área internacional do Banco do Brasil, Augusto Braúna.