Título: VCP prepara o futuro com nova base florestal
Autor: Ivo Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 19/11/2004, Empresas, p. B-1

A Votorantim Celulose e Papel (VCP) dá largada hoje no Rio Grande do Sul, em Capão do Leão, ao programa de desenvolvimento de sua nova base florestal, que vai sustentar os planos futuros de crescimento da companhia, uma das maiores do setor de celulose e papel do país. O projeto envolve um plano de incentivo de plantio de eucaliptos a proprietários de terras da região, no entorno da área ond está implantando sua nova fonte de madeira, no sul do Estado. De acordo com José Luciano Penido, presidente da VCP, a meta é plantar durante seis anos 100 mil hectares de florestas de eucaliptos em uma área ocupada por 21 municípios. O plano 12 mil hectares próprios por ano e 5 mil dos parceiros florestais - pequenos, médios e grandes donos de terras. "É uma iniciativa pioneira, que nasce com a intenção de ser um projeto de inclusão social", diz o executivo, que está no comando da empresa desde o início do ano. Segundo Penido, a idéia é que participem desse projeto de 250 a 500 parceiros por ano, que vão receber da fabricante mudas, tecnologia de plantio, assistência técnica e contrato de garantia de compra de 95% da madeira colhida ao fim de sete anos. Além disso, viabilizou financiamento com o Banco Real. A empresa firmou também um convênio de dez anos com a Emater. "Vamos dar todo o suporte a esses parceiros e que eles ganhem dinheiro conosco", ressaltou Penido. O financiamento do Real, acrescentou, visa garantir recursos ao plantio e manutenção nas propriedades para não mexer no capital próprio do dono da terra. "É um negócio sem risco", afirmou. Segundo Penido, o programa poderá envolver inclusive assentados do Movimento Sem Terra (MST) na região, que detêm propriedades de 20 hectares. O programa, denominado "Poupança Florestal", prevê que no máximo 50% das terras serão usadas para plantio de eucalipto, incluindo parte delas (20% a 25%) como reserva de preservação ambiental. O projeto da VCP, que atualmente tem suas bases florestal e industrial no Estado de São Paulo, abrange 15 municípios. Em outros seis ficarão as áreas dos parceiros. Essa operação inclui a instalação de um viveiro de mudas de eucaliptos para 30 milhões de unidades/ano. No viveiro estão previstos investimentos de R$ 27,5 milhões - cerca de R$ 7,5 milhões neste ano e a grande parte em 2005. Fábio Barbosa, presidente do Banco Real, disse que se interessou pelo projeto porque o banco tem tradição de operações com a VCP e por ser um programa com perfil auto-sustentável. Em sete anos, o Real financiará US$ 35 milhões. Os empréstimos terão sete anos para pagamento, que será feito com a madeira colhida dos plantios, ao custo de 9% ao ano. Esse custo será coberto pelo reajuste anual igual no valor do produto, garantido em contrato pela VCP. Barbosa disse que o banco, nos últimos anos, tem se dedicado a financiar projetos em várias áreas com o viés sócio-ambiental. "São projetos que apresentam o menor risco de crédito, pois inserem boa governança corporativa e modelo de gestão", afirmou. No programa da VCP, o Real prevê capturar 3,5 mil clientes a mais nas duas agências que tem em Bagé e Pelotas. Esse tipo de projetos, que envolve questões ambientais, educacional e ambiental, segundo Barbosa, vai fechar o ano com US$ 100 milhões de financiamento. A meta para 2005 é triplicar esse valor. Com capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas por ano de celulose (quase 700 mil transformadas em papel), a empresa já investiu R$ 160 milhões nesse projeto do Sul e tem previsão de mais R$ 170 milhões no próximo ano. Esse valores incluem aquisição de terras, o plantio, constituição de áreas para preservação, suporte aos parceiros, entre outras atividades.