Título: Neoenergia planeja investir US$ 1,5 bi na área de geração
Autor: Vera Saavedra Durão e Catherine Vieira
Fonte: Valor Econômico, 31/01/2006, Empresas &, p. B8
Energia Holding das distribuidoras nordestinas tem aumento de 170% no lucro, que chega a R$ 822 milhões Depois de mais um ano de melhorias nas margens operacionais e no perfil de sua dívida, a Neonergia - holding que controla as distribuidoras Coelba (Bahia), Celpe (Pernambuco) e Cosern (Rio Grande do Norte) - se prepara para iniciar uma fase de mais investimentos no setor de geração de energia. A companhia, que divulga hoje ao mercado um lucro de R$ 822,4 milhões em 2005, resultado 170% superior ao de 2004, planeja investir R$ 1,5 bilhão nos próximos três anos, sendo um terço no segmento de geração. No ano passado, a Neonergia arrematou em leilão o controle da hidrelétrica Baguari (MG), com potência instalada de 140 megawatts (MW), e mais duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) em Goiandira e Nova Aurora (GO), com potências de 28MW e 21 MW, respectivamente. Segundo Marcelo Corrêa, presidente da holding, a empresa tem planos de participar também este ano do leilão de energia nova previsto. "Com o equilíbrio financeiro atingido a idéia é, paulatinamente, começarmos a nos voltar para esses novos negócios", disse Corrêa ao Valor. No ano passado, a empresa investiu R$ 852 milhões, basicamente na operação de distribuição, o que representou um aumento de 55% em relação à 2004. Segundo Corrêa, o investimento em distribuição este ano não deverá ter um salto desse tamanho. O executivo lembrou que a companhia tem metas fortes de universalização para cumprir. "É preciso fazer um investimento alto. São 450 mil ligações a serem feitas pelas três distribuidoras só no programa Luz para Todos", explica Corrêa, destacando que em 2005 foram feitas 105 mil ligações, de um total de 427 mil novos clientes da Neoenergia. Já para os investimentos na área de geração, a empresa pretende fazer um financiamento de projetos (project finance) junto ao BNDES. Serão aplicados R$ 450 milhões na construção da usina de Baguari e R$ 150 milhões nas PCHs. Em 2005, a Neoenergia concluiu a operação de alongamento das dívidas e reduziu custos. "Agora o prazo médio está acima de quatro anos. Em 2003, cerca de 60% da dívida tinha vencimento em seis meses", lembrou Corrêa, que assumiu a holding em janeiro de 2004 para efetuar uma reestruturação. Segundo ele, com as operações de troca de dívida feitas em 2005, além de completar o alongamento, obteve-se uma redução de custo de 2 pontos percentuais. A dívida líquida da Neonergia é de R$ 3,95 bilhões, sendo R$ 434 milhões de curto prazo. Corrêa ressaltou que o bom resultado da companhia veio da parte operacional. O lajida consolidado foi de R$ 2,2 bilhões, com aumento de 51% ante 2004. "A margem lajida cresceu de 30,3% em 2003 para 35,9% em 2004 e para 44,2% em 2005", ressaltou Corrêa. Também ajudou no desempenho o aumento de consumo de energia nas três distribuidoras, que cresceu 5,1% em 2005 ante 2% em 2004 e mais reduções de custos operacionais por meio de sinergias, diminuição das perdas, além dos reajustes tarifários. "Houve um realinhamento na base de remuneração dos ativos, que agora são definitivos e não provisórios, como ocorria antes", disse o executivo. O reajuste médio foi de 23,41% na Coelba; de 19,58% na Cosern e 24,43% na Celpe (primeira parcela de três). Corrêa destacou ainda que todo o resultado obtido pela companhia é recorrente. "O dólar, por exemplo, não teve efeito sobre esses números, uma vez que toda a nossa dívida possui proteção cambial", disse. Segundo o executivo, a companhia tem hoje uma estrutura preparada para a abertura de capital em bolsa, mas essa decisão depende dos acionistas. A Previ possui 49% do capital da Neoenergia, a espanhola Iberdrola tem 39% e o Banco do Brasil, 12%.