Título: Presidente do PP deve ter o mandato cassado
Autor: Juliano Basile e Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 01/02/2006, Política, p. A4

O presidente do PP e deputado federal Pedro Corrêa (PE) teve seu pedido de cassação praticamente decretado na tarde de ontem pelo Conselho de Ética. A sessão do colegiado foi interrompida por conta da ordem do dia no plenário e será reiniciada hoje. Mas a contagem das manifestações públicas pelos parlamentares mostram 7 votos a 2 pela perda do mandato de Corrêa. Apenas cinco deputados ainda não pronunciaram seu voto. Se todos forem favoráveis a Corrêa, ainda assim ele seria cassado. Com o empate em 7 a 7, caberia ao presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), dar o voto de minerva. O petebista já anunciou publicamente que sempre votará de acordo com a posição do relator do processo. No caso de Corrêa, o relator Carlos Sampaio (PSDB-SP) pediu a perda de seu mandato. Corrêa é acusado de receber R$ 700 mil do valerioduto. O dinheiro, segundo a versão do PP, teria sido usado para pagar os honorários do advogado Paulo Goyas, defensor do deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em diversas ações na Justiça. O repasse teria sido um acordo firmado entre o PT e o PP. O empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ter organizado todo o esquema de repasse de dinheiro aos partidos da base para o pagamento de mensalão, alega que repassou R$ 4,1 milhões a Corrêa. "Esse acordo é absolutamente espúrio porque não tem conotação política. Deixa aberto o jogo de interesses", disse o deputado Chico Alencar (P-SOL-RJ). "O pagamento, por um partido, de honorários advocatícios de ações contra deputado de outra legenda tira a independência do parlamentar protegido e do presidente do partido", afirmou Jairo Carneiro (PFL-BA). O deputado Benedito de Lira (PP-AL) votou contra a cassação de Corrêa. Defendeu uma suspensão de 30 dias ao correligionário. Sandes Júnior (PP-GO) acompanhou o entendimento do parlamentar. Hoje, votarão Bosco Costa (PSDB-SE), Ann Pontes (PMDB-PA), Angela Guadagnin (PT-SP), Edmar Moreira (PFL-MG) e Moroni Morgan (PFL-CE). (TVJ)