Título: Pressionado, Bush se volta para as questões internas
Autor: Agências internacionais
Fonte: Valor Econômico, 01/02/2006, Internacional, p. A7

Em campanha Presidente dos EUA tenta retomar questões internas com mais força, de olho nas eleições para o Congresso americano

Com um segundo mandato marcado por crescente pressão sobre o Iraque, pela guerra contra o terror e por insucessos na aprovação de importantes iniciativas de política doméstica, o presidente George W. Bush iria colocar ontem ante o Congresso suas linhas para os próximos anos de governo. As principais linhas de seu discurso do estado da União se voltariam para a política interna e para a busca de alternativas à dependência de petróleo, indicam excertos da fala presidencial aos quais a imprensa teve acesso. "Os EUA são viciados em petróleo", disse ele, complementando que o país tem de romper com a dependência das importações, principalmente as vindas de partes instáveis do mundo. Ele iria pedir mais investimentos em pesquisa científica e educação de matemática e ciências, indicavam trechos do discurso passados à imprensa antes de o presidente falar no Congresso. Na área internacional, o presidente iria repetir seu compromisso de "acabar com a tirania em nosso mundo". "A segurança dos EUA no futuro depende disso." "Ultimamente, a única maneira de derrotar os terroristas é derrotar a visão de escuridão, ódio e medo que eles têm. Isso se faz oferecendo uma alternativa de esperança e liberdade política." O discurso do estado da União é uma obrigação constitucional do presidente e está entre os maiores eventos políticos do país. A fala de Bush estava programada para começar à meia-noite (horário de Brasília). Ainda segundo os excertos do discurso, o presidente iria dizer que o país não pode ser complacente na área econômica e que necessita de maior competitividade, principalmente por causa da pressão de "novos competidores, como a China e a Índia". Pressionado pelos grandes déficits comercial e fiscal, Bush iria oferecer apenas algumas iniciativas modestas para lidar com os crescentes custos de energia e de saúde. Para lidar com a dependência do petróleo, ele pretende trabalhar pela construção de mais usinas nucleares e pelo desenvolvimento de tecnologias alternativas, como a eólica e a solar. Pelo menos algumas notícias positivas deram algum ânimo à administração Bush. Ontem, ele conseguiu um de seus maiores êxitos políticos, quando o Senado americano confirmou a escolha presidencial de um segundo juiz conservador para a Suprema Corte dos EUA - o juiz Samuel Alito. Alito substitui a juíza Sandra Day O ? Connor, que freqüentemente exercia o voto de Minerva numa corte formada por nove pessoas perfeitamente cindida ao meio, especialmente em questões sociais. A maioria dos democratas opôs-se à nomeação, argumentando que Alito, juiz de um tribunal federal de apelações durante 15 anos, havia demonstrado hostilidade aos direitos civis, à opção reprodutiva feminina e excessiva deferência ao ramo executivo do governo. "Precisamos questionar se Alito como juiz da Suprema Corte funcionará como um contrapeso a um presidente arrogante", disse o senador Harry Reid, importante senador democrata, antes de votar contra o indicado. A nomeação de Alito provavelmente fará a alta corte tender ligeiramente para a direita, especialmente no que diz respeito a questões polêmicas, como a do aborto. O Senado confirmou a indicação de Alito por 58 votos contra 42.