Título: Para BC, o que importa é a tendência
Autor: Sergio Lamucci
Fonte: Valor Econômico, 01/02/2006, Especial, p. A10

O Banco Central estima o hiato do produto por meio de quatro metodologias e apenas irregularmente divulga a tendência desse indicadores. A informação mais recente disponível é do relatório de inflação de setembro de 2005, que de forma geral apontava um alargamento do hiato. O hiato é a diferença entre o PIB efetivamente observado e o PIB potencial, que representa o quanto o país pode crescer sem pressionar a inflação. A intuição por trás do indicador é que a economia tem gargalos no curto prazo e a partir de certo ponto a oferta agregada só pode ser elevada discretamente, com preços mais elevados. O hiato do produto faz parte dos modelos do BC para prever a inflação. O banco nunca divulgou o quanto, em termos percentuais, a economia pode crescer num determinado ano. Mais que o número, porém, o que interessa é a tendência. Duas das metodologias usadas pelo BC procuram medir o PIB potencial com base na informação no período imediatamente anterior - a tendência linear e o filtro de Hodrick-Prescott. Uma terceira metodologia usa uma função produção, que tenta descobrir o PIB potencial com base no estoque de capital na economia, mão-de-obra e um fator de produtividade. Há uma quarta metodologia que combina o uso do filtro com a função produção. Os gráficos apresentados pelo BC em setembro mostram, de forma geral, que o hiato do produto estava se ampliando. É possível que, nos meses seguintes tenha se ampliado ainda mais. De um lado, o crescimento da economia ficou menor do que o esperado, o que reduz o PIB observado. De outro, a maturação dos investimentos tende a ampliar o PIB potencial. Do ponto de vista da política monetária, porém, o que importa é o hiato do produto que será observado nos trimestres seguintes.