Título: Brasil terá 390 milhões de cartões
Autor: Altamiro Silva Júnior
Fonte: Valor Econômico, 01/02/2006, Finanças, p. C2

Meios de Pagamento Plásticos de débito são os que mais crescem

O mercado de cartões do Brasil deve encerrar 2006 com 390 milhões de plásticos, incluindo os cartões de crédito, débito e os de loja, um aumento de 15% em relação a 2005, prevê a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Puxado pelo crescimento da economia e pelo aumento de estabelecimentos que aceitam cartões, estes meios de pagamento devem movimentar R$ 261,8 bilhões, crescimento de 24%. O crescimento maior será nos cartões de débito, superando o já elevado aumento de 2005, quando o volume movimentado cresceu 36%. Para este ano, a previsão é de avanço de 39% no volume, para R$ 83,5 bilhões. A razão do melhor desempenho do débito, segundo o diretor de marketing da Abecs, Antonio Luiz Rios, é que estes cartões têm baixo índice de ativação (uso efetivo pelo cliente), em torno de 20%. Normalmente o cliente recebe o cartão de débito do banco e só usa para saques. No cartão de crédito, este índice supera os 60%. Caso a previsão se concretize, o número de transações dos cartões de débito (estimado em 1,9 bilhão para este ano) deve pela primeira vez alcançar as operações do cartão de crédito (2 bilhões). "Os números indicam que os brasileiros já se acostumaram a usar meios eletrônicos de pagamentos", avalia Rios. Com isso, o números de pontos comerciais que aceitam pagamento com cartão está aumentando. Números preliminares da Abecs indicam que o número de estabelecimentos afiliados às bandeiras Visa, MasterCard e American Express fechou 2005 em 1 milhão de pontos, alta de 20% em relação a 2004. Com o crescimento do uso do cartão, a inadimplência vem aumentando. A Abecs finaliza um estudo sobre as taxas e preferiu não divulgar números. Rios apenas disse que nos últimos seis meses, a inadimplência cresceu, acompanhando a expansão do crédito e da emissão dos cartões. O principal desafio, para a Abecs, não é mais o cartão substituir os cheques, mas sim o dinheiro. Em 1995, do total de pagamentos no Brasil, 7% eram com cartões, 26% com cheques e 55% com dinheiro. Dez anos depois, a participação dos cartões subiu para 20%, dos cheques caiu para 14% e a do dinheiro ficou praticamente estável, em 53%. "A tendência dos cheques é cair ainda mais. O setor quer agora tomar lugar das transações pagas com dinheiro", afirma Rios. Para ele, pelo menos nos próximos cinco anos, os cartões vão continuar mantendo taxas de crescimento de dois dígitos. Entre as razões que mostram o potencial do mercado, estão o ainda baixo índice de ativação e o pequeno alcance na baixa renda. Este ano, o setor de pagamentos eletrônicos comemora 50 anos no Brasil. O primeiro plástico chegou aqui em 1956, com a bandeira Diners e era aceito apenas em alguns restaurantes. O produto chegou seis anos após a estréia nos Estados Unidos. Hoje, as transações com cartões são responsáveis por 21,5% do consumo privado brasileiro, segundo cálculos preliminares da Abecs e o Brasil é o terceiro emissor mundial (considerando os cartões de débito e crédito), atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Outros fator que está contribuindo para o bom desempenho do setor é a migração dos cartões de loja ("private label"), que estão, aos poucos, se transformando em cartões com bandeiras. Por ser aceito apenas na loja que emitiu, a ativação dos cartões de marca ainda é muito baixa. Fala-se que para cada três cartões destes, apenas um é ativado.