Título: Acordo é estratégico, dizem argentinos
Autor: Paulo Braga
Fonte: Valor Econômico, 02/02/2006, Brasil, p. A3
Os empresários argentinos manifestaram ontem um forte apoio ao acordo firmado entre o Brasil e seu país e elogiaram atitude do governo durante a negociação. Segundo um comunicado emitido pela União Industrial Argentina (UIA), "as negociações permitiram chegar a uma decisão estratégica em favor da reindustrialização de nosso país e do desenvolvimento harmônico" do Mercosul. Já a Fundação Pro Tejer, lobby do setor têxtil, considerou que o Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC) abre a possibilidade de que se evite "a invasão de produtos brasileiros ao país e a conseqüente destruição de indústrias e de postos de trabalho argentinos". Também houve elogios de outros setores, incluindo o de calçados. Os produtores de têxteis e de sapatos estão entre os setores que mais protestam contra uma suposta "invasão" de seu mercado pelo Brasil. Ambos firmaram acordos que limitaram as exportações brasileiras, cuja vigência está prestes a terminar. Além disso, venceram recentemente os acertos similares feitos para o setor de linha branca. Esses fabricantes poderiam solicitar a salvaguarda caso não consigam renovar os acordos que possuem com o setor privado brasileiro. Entre os produtores brasileiros, as queixas de "invasão" de produtos argentinos estão concentradas em produtos com menor valor agregado. Há reclamações dos produtores de vinho, arroz, trigo e alho, que também poderiam recorrer à salvaguarda. Segundo a avaliação de uma fonte do governo brasileiro, os argentinos que reclamam da competição com produtos brasileiros representam uma parcela relativamente pequena do comércio bilateral, estimada em menos de 5%. Na sua avaliação, se for acionado pelos produtores brasileiros, o MAC tem um potencial maior para afetar o conjunto do comércio - as vendas de trigo argentinas correspondem a 9,5% dos embarques do país ao mercado brasileiro.(PB)