Título: TIM inicia reestruturação de ativos no país
Autor: Heloisa Magalhães
Fonte: Valor Econômico, 02/02/2006, Empresas &, p. B3

Telefonia móvel Companhia vai reunir controladas sob holding; lucro líquido em 2005 teve aumento de 50%

A TIM Brasil anunciou ontem que deflagrou processo de reestruturação societária dos ativos no Brasil. Vai unir todas as empresas em uma holding - TIM Participações - que será de capital aberto. O pedido de autorização já foi encaminhado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A assembléia de acionistas está marcada para 16 de março. Logo após o anúncio, ainda pela manhã, a reação do mercado foi negativa. As ações da companhia caíram, ignorando o efeito dos resultados de 2005, também divulgados ontem e considerados "fortes" por analistas. Segundo os dados apresentados pela TIM, caso a fusão já tivesse acontecido em 2005, o grupo teria fechado o ano com R$ 8,411 bilhões de receita e R$ 1,529 bilhão de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida), com margem de 18%. O lucro líquido foi de R$ 339 milhões, 50% maior que em 2004. O número de assinantes da companhia atingiu 20,171 milhões, 6,584 milhões a mais do que em 2004, aumento de 48,5%. bem superior ao total do mercado, que cresceu 32% em 2005. Hoje, estão na estrutura do grupo, a TIM Celular, sem ações em bolsa e que opera em São Paulo, Rio de Janeiro, Centro-Oeste, Rio Grande do Sul e Norte. Em paralelo, há a TIM Participações listada na Bovespa e na bolsa de Nova York, que presta serviços nos estados do Nordeste do Piauí a Alagoas, além Paraná, Santa Catarina e região de Pelotas (RS). Resta ainda a TIM Maxitel, presente na Bahia e Sergipe, além de Minas Gerais e região de Pelotas (RS). Um dos pontos altos dos dados apresentados ontem foi a redução de 7% no custo de aquisição dos cliente, passando de R$ 124,00 por terminal para R$ 116,00. A TIM vem defendendo a redução dos subsídios para assim aumentar a rentabilidade do setor. O presidente da empresa, Mário César de Araújo avalia que o país não passa de 110 milhões de clientes (fechou 2005, com 86 milhões). Por isso defende que as operadoras foquem no melhor atendimento ao cliente, menos no aumento da base por meio de usuários de pré-pago, que devido à alta penetração do serviço no país serão, cada vez mais, de poder aquisitivo menor, oferecendo retorno baixo. Araújo, que ficará à frente da nova holding, achou natural a reação da bolsa ontem: "O mercado é cauteloso mesmo mas o à medida que vai entendendo as vantagens o processo começa a ser reverter", disse. O presidente da companhia destacou para os acionistas haverá ganhos por migram para o mercado aberto a TIM Celular, que responde por 53% da receita do grupo e está nos mercados mais promissores, como Rio e São Paulo, e responde por 4%% da base de clientes. Ontem mesmo houve recuperação. No ponto mais baixo do dia, o preço dos papeis chegou a registrar retração de 11,95% (ações ordinárias) e de 10,48% (preferenciais). Ao longo da tarde, recuperam-se fechando com queda de 3,38% (ordinárias) e de 4,75% (preferenciais). Mesmo assim, as ações acumulam no ano alta de 30,72% (ON) e 32,37% (PN). Segundo Araújo, entre as vantagens da reestruturação estão a redução de tarefas repetitivas, como mais de um conselho de administração, a redução fiscal, a condição de emissão de contas centralizada, mais sinergias nas contratações de equipamentos, ganhos de escala, otimização da estrutura. A empresa tem 6 mil empregados e não há planos de demissões, apenas de reposicionamento. O grupo divulgou os dados de 2005. A TIM Participações fechou o ano com 7,5 milhões de clientes, 32,8% a mais do que em 2004. O lucro foi 50,1% acima de 2004 (R$ 399,2 milhões), o que representou R$ 0,45 por lote de mil ações e R$ 4,54 por ADR (10 mil ações). O lajida ficou em R$ 1 bilhão, crescimento de 14,3% com relação ao ano anterior. A receita líquida de serviços atingiu R$ 2,4 bilhões, 14,6% acima do ano passado. A Maxitel - operação em Minas Gerais, Bahia e Sergipe - e de capital fechado registrou prejuízo de R$ 200 milhões, que segundo o Araújo é resultado ainda do processo de implementação da companhia. A receita, entretanto, cresceu 23% atingindo R$ 1,237 bilhão e o lajida ficou em R$ 294 milhões, margem de 24%. Já a TIM Celular, também sem ações em bolsa, registrou receita de R$ 4,440 bilhões em 2005, 64% por cento no ano, e lajida de R$ 219 milhões, margem de 5%.