Título: Estoque baixo estimula produção industrial
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 07/02/2006, Brasil, p. A3

Conjuntura Analistas prevêem retomada no primeiro trimestre; queda da Selic já influi no desempenho

O IBGE divulga hoje os dados da indústria em dezembro, fechando 2005. Estevão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Aurélio Bicalho, da área de pesquisa do Itaú, estimam taxas de crescimento entre 1,2% e 1,3% para a produção industrial do último mês do ano ante novembro, o que aponta para um avanço da atividade industrial no acumulado de 2005 de apenas 2,9%. Bicalho, do Itaú, avaliou que a indústria teve uma recuperação em dezembro, principalmente em papelão ondulado (3,3%) e veículos ( 2,7%). "Se a performance mensal se repetir por todo o primeiro trimestre, já garante um crescimento superior a 1% no período, ante o quarto trimestre de 2005", analisa em relatório divulgado ontem. O Ipea também está otimista e trabalha com crescimento de 4,1% para a indústria em 2006. Bicalho e Kopschitz comungam de expectativas positivas para a indústria nos próximos meses por conta da redução dos estoques industriais e da queda do juro básico. A diminuição dos estoques industriais foi confirmada pela sondagem conjuntural de janeiro, da FGV. Para Bicalho, isto garante uma retomada da industria já neste trimestre. A queda da taxa de juro é a variável-chave para a concretização do cenário. Para Kopschitz, o declínio da Selic já vem influindo no comportamento da economia. O Ipea estima expansão de 1,2% para o PIB do primeiro trimestre do ano, ante o quarto de 2005. Os sinais de reaquecimento da atividade econômica foram citados pela LCA Consultores em sua resenha da semana, como o consumo de energia. Segundo a ONS, o consumo de energia elétrica cresceu 5,2% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. O que, no cálculo com ajuste sazonal da LCA significou um incremento de 2,1% sobre dezembro do ano passado. Alex Agostini, economista-chefe da Austin, vê sinais de reaquecimento do mercado interno, como oferta de crédito e aumento da renda dos trabalhadores, mas aposta também no incremento das exportações para aquecer a economia, apesar do câmbio apreciado. A Austin trabalha com crescimento de 4,7% para a produção industrial, e de 3,8% para o PIB. Para Agostini, a tese de que a valorização do real causaria danos profundos ao setor exportador não tem se sustentado. "A despeito da valorização do real, de 15,5% na comparação entre as taxas médias de janeiro de 2006 e janeiro de 2005, as exportações cresceram 24,5%, um recorde histórico". No seu cenário, o que pesa mais que o câmbio no desempenho das exportações brasileiras é o nível de crescimento dos principais parceiros comerciais. Em 2005, EUA, Argentina, China, Holanda, Alemanha, México, Chile, Japão, Itália e Rússia responderam por 56,5% da pauta de exportações brasileiras. A taxa média de crescimento desses países foi 3,9% em 2005. Este ano, será de 3,7%, conforme o FMI.