Título: Virgílio acusa petistas pela divulgação da lista de Furnas
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Fonte: Valor Econômico, 07/02/2006, Política, p. A6
Dirigentes do PSDB querem mudar o foco do debate sobre a suposta lista de Furnas, que revelaria financiamentos ilegais de campanhas eleitorais de parlamentares e políticos que pertenceram à base de apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não quero mais provar a fraude em relação a essa lista. Quero punir os fraudadores. Quero cassar os parlamentares que expediram essa lista", afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), para quem petistas teriam atuado na divulgação da lista para a imprensa e para o meio político. Ele afirmou que a direção do partido não se dará por satisfeita apenas em desmoralizar a lista e comprovar que é falsa. A estratégia será a de pressionar diariamente o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos pela apuração da veracidade do documento. Ele disse ainda estranhar o silêncio do ministro. "Delinqüente tem que ser punido. Se é parlamentar, tem que ser processado e cassado", acrescentou. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini, desafiou Virgílio a revelar os nomes dos parlamentares que, segundo ele, teriam auxiliado na confecção da lista em seus gabinetes. "Nós queremos a apuração severa sobre a veracidade da lista. Não faremos como outros partidos e afirmaremos que se trata de caixa 2. E o PT também não participará de nenhum acordo na CPI", disse. Conversas entre parlamentares em curso na semana passada sinalizavam para um possível pacto para que nem o ex-presidente de Furnas Dimas Toledo nem o publicitário Duda Mendonça fossem convocados novamente para depor na CPI Mista dos Correios. "Se alguém produziu uma lista que não é verdadeira, claro que não há outro caminho além da cassação", disse Berzoini. "Mas seria bom que o líder do PSDB provasse o que diz, que diga publicamente a quem está acusando. Qualquer parlamentar saber que isso é crime de falsidade ideológica", concluiu o presidente do PT. Arthur Virgílio disse que o ministro da Justiça não conseguirá transformar a Polícia Federal numa "polícia política". "Não instalarão nesse país um regime policialesco", bradou na tribuna do Senado ontem. "O ministro não quer ver a corrupção do governo Lula. Continua agindo como advogado criminal". Em reunião da Executiva Nacional do PT, realizada na última sexta-feira, a direção partidária divulgou nota refutando "qualquer acusação de autoria da referida lista, tática usada por alguns oposicionistas para evitar a investigação". O ministro da Justiça, também em nota, afirmou que não recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nenhuma orientação para dar total prioridade à investigação sobre a lista de Furnas. "As investigações da Polícia Federal não tiveram início agora. Começaram em julho de 2005, depois de denúncias, e incluem outros órgãos públicos, não apenas Furnas", esclarece a nota. O Ministério da Justiça informa ainda que o trabalho da PF é feito com profissionalismo, "sem qualquer vínculo com partidarismos políticos". (MLD)