Título: Embargo afeta embarques de carne suína em janeiro
Autor: Alda do Amaral Rocha
Fonte: Valor Econômico, 07/02/2006, Agronegócios, p. B11
Crise sanitária Mas venda externa de carne bovina in natura segue em alta
As exportações de carne suína somaram US$ 66,6 milhões em janeiro, 2,7% menos que em igual mês de 2005. O volume embarcado também teve queda, de 3,3%, para 36.305 toneladas, segundo a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Conforme o presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto, o embargo da Argentina e da África do Sul ao produto - após o surgimento de casos de aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná - motivou a redução nos embarques. A Rússia, principal cliente da carne suína brasileira, também suspendeu as compras, mas a medida não teve impacto, uma vez que o país permitiu que as empresas brasileiras embarcassem carne suína produzida antes de 12 de dezembro de 2005. Com isso, as vendas à Rússia acabaram crescendo em janeiro passado. Os volumes somaram 23.270 toneladas, 16,62% de alta. A receita com as vendas à Rússia no mês foi de US$ 45,8 milhões, crescimento de 17,76%, segundo a Abipecs. Para o presidente da Abipecs, o embargo da Rússia à carne suína brasileira deve ser levantado ainda este mês. "A Rússia até reconheceu que o Rio Grande do Sul não deveria ter sido incluído no embargo", afirmou. O motivo é que o acordo sanitário entre Brasil e Rússia prevê restrição à carne proveniente de Estados que fazem divisa com a região do foco de aftosa, o que não é o caso do Rio Grande do Sul. Camargo Neto disse que a questão do embargo "está se clareando", e a perspectiva é de recuperação dos volumes nos próximos meses. O que preocupa agora, afirmou, é a ameaça de nova greve dos fiscais agropecuários federais, que pode atrapalhar as exportações novamente. Apesar de 56 países terem embargado total ou parcialmente a carne bovina brasileira por causa da aftosa, os embarques cresceram. As vendas somaram 80,9 mil toneladas em janeiro ante 65,6 mil em janeiro de 2005, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A receita com as vendas chegou a US$ 180,7 milhões acima das US$ 140,6 milhões de janeiro de 2005. Para Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, o fato de ter 170 países como clientes reduziu o impacto do embargo. Além disso, os frigoríficos conseguiram redirecionar a produção para a exportação. Segundo ele, esse quadro e a perspectiva de melhora no consumo interno levaram pecuaristas a reter animais, elevando as cotações do boi. Ontem, o preço subiu para R$ 52,00 em São Paulo. Estava em R$ 49,50 uma semana antes.