Título: Usinas vão substituir geração cara a óleo
Autor: Leila Coimbra
Fonte: Valor Econômico, 06/02/2006, Empresas &, p. B1

Um dos principais benefícios prometidos pelo complexo Madeira é a interligação de parte da região Norte ao sistema elétrico nacional. Hoje, a energia na região amazônica do país - chamada de sistema isolado - é feita com geração termelétrica a óleo combustível, cara e poluidora. Somente para bancar o óleo consumido na geração térmica do sistema isolado, o Brasil gastará R$ 4,5 bilhões em 2006. Se esses sistemas fossem interligados por redes de transmissão ao resto do país, não haveria mais a necessidade desse subsídio, pago por todos os consumidores de energia do país diretamente nas contas de luz. O nome desse encargo é Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e está embutido nas tarifas de energia. Atualmente, os sistemas isolados de Manaus (AM) representam em torno de 44% da CCC; os de Porto Velho (RO) e de Rio Branco (AC), 23%; os da Companhia Energética do Amazonas (Ceam, que atua no interior do estado), 10%; e o de Macapá (AP), 6 %. O restante da conta é distribuída nos sistemas isolados de outros estados. As hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio tirariam dessa conta Manaus, Porto Velho e Rio Branco - quase 70% do total. Na sua reunião de diretoria realizada na última segunda-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabeleceu em R$ 4,525 bilhões o montante anual da CCC para o período de janeiro a dezembro de 2006. O valor é de aproximadamente 25% superior ao montante de R$ 3,6 bilhões aprovado para 2005. A CCC é recolhida em parcelas mensais pelas concessionárias de distribuição e por consumidores livres. A área técnica da Aneel, por orientação da diretoria, deverá elaborar estudo sobre o comportamento dos preços dos combustíveis usados nessas usinas, em razão da significativa variação registrada no ano passado. (LC)