Título: Mudança ajudaria a flexibilizar o câmbio
Autor: Claudia Safatle
Fonte: Valor Econômico, 06/02/2006, Finanças, p. C1
A participação de investidores estrangeiros na dívida pública brasileira é um passo para flexibilizar a legislação cambial, uma das maiores demandas do setor produtivo nacional. A avaliação é do secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. "Não só o setor financeiro, mas o setor produtivo de modo geral consolidou uma percepção de que (a vinda de estrangeiros) pode ser positiva." A avaliação de Levy é que qualquer mudança nas regras cambiais, se antecedida por uma melhora da dívida pública, será feita com "muito mais segurança". Neste contexto, a vinda dos estrangeiros para cá ajuda no alongamento da dívida e no aumento dos papéis prefixados, fatores, que segundo o secretário do Tesouro, "ajudam na modernização de alguns aspectos da área cambial". Uma das demandas dos empresários é a possibilidade de abrir conta em dólar aqui e ter a liberdade da conversão da moeda americana em real na data desejada. Levy participou na sexta-feira de um café da manhã onde foi feito um balanço do "Best Brazil", iniciativa do Tesouro, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliário, Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Bovespa, Anbid e CBLC para mostrar o mercado brasileiro para os estrangeiros. O evento reuniu 200 pessoas na sua última passagem por Nova York no ano passado, o dobro da audiência da primeira apresentação, em 2004. Em Londres, outras 200 pessoas conheceram melhor o mercado brasileiro; e, em Cingapura, 50 investidores. Segundo Rodrigo Azevedo, diretor de Política Monetária do BC, o evento foi tão bem-sucedido que está sendo "imitado" por outros países emergentes, como México, Rússia e Taiwan. Os tailandêses, por exemplo, criaram o "Buy Thailand", que teve apresentação em Nova York na sala ao lado do evento brasileiro, no mesmo dia e local.