Título: Estudo projeta um futuro promissor
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 03/02/2006, Agronegócios, p. B12
Um estudo da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura indica que o Brasil deve tirar dos EUA o título de maior exportador mundial de soja até a safra 2014/2015. A participação dos Estados Unidos deve cair dos atuais 48% para 29% e o Brasil abocanhará 37% do mercado global. A Argentina continuará como a terceira força. Na safra 2014/15, a produção mundial de soja deve chegar a 305 milhões de toneladas, um expressivo crescimento de 26,8% se comparado com a safra 2004/05. O Brasil ficará com 27% do total - ou 83,9 milhões de toneladas. Os EUA manterão a liderança, com 29%. As projeções, feitas para amparar um inovador plano estratégico para o ministério, mostram que o agronegócio brasileiro tem potencial para crescer, sustentando-se no aumento da demanda mundial por alimentos causado pelo explosão da população e da renda. "China e Índia precisarão importar cada vez mais alimentos em função do esgotamento de suas áreas agricultáveis", disse o chefe da assessoria, o pesquisador Elísio Contini. O cenário desenhado pelo Ministério da Agricultura mostra que a produção nacional de grãos pode chegar a 170,3 milhões de toneladas em 2015. Isso significa um aumento de 58,6% sobre as 107,4 milhões de toneladas da safra 2004/05. A produção de carnes deve bater em 28,7 milhões de toneladas, com amplo destaque para bovinos e frangos. Em 2005, a produção brasileira chegou a 21,3 milhões. "A dinâmica do agronegócio brasileiro está vinculada à exportação, embora seja amplo o mercado interno", ressalva Contini. O estudo indica a tendência de exportar produtos de médio e alto valor agregado em consequência do custo de transporte. Entre os fatores de incerteza que poderão dificultar a expansão do agronegócio nacional estão o crescimento econômico abaixo do previsto, o protecionismo dos países desenvolvidos, e a falta de investimento em infra-estrutura (estradas, portos e ferrovias), além de atrasos na tecnologia e também na defesa agropecuária. O estudo mostra, ainda, que o Brasil será "país-chave" na determinação do futuro do preços mundiais de açúcar, que continuará como líder em produtividade e na exportação, com 24 milhões de toneladas - ou 56% do total global. A produção brasileira de milho deve ser de 60,8 milhões de toneladas na temporada 2014/15. A produção será suficiente para atender ao consumo interno e haverá excedentes para exportação, em um total de 2,8 milhões de toneladas no ano-safra. (MZ)