Título: Gerdau revê demanda para 2006 com redução no IPI
Autor: Sérgio Bueno
Fonte: Valor Econômico, 09/02/2006, Empresas &, p. B6
Siderurgia Pacote de incentivos à construção deve elevar consumo de aço
O pacote anunciado esta semana pelo governo federal para incentivar o setor da construção, incluindo a isenção do IPI de 5% sobre o aço usado nessa atividade, já leva a Gerdau a prever um crescimento maior para as vendas no país em 2006. O índice, que era estimado em 6% sobre o ano passado, terá de ser revisto para cima, assim como a previsão de crescimento de 3% a 3,5% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, disse ontem o vice-presidente executivo de finanças do grupo siderúrgico, Osvaldo Schirmer, durante apresentação do balanço de 2005. No ano passado, as vendas da Gerdau no mercado interno recuaram 9,6%, para 3,5 milhões de toneladas de aço. A queda foi provocada pelos juros altos, pelo impacto da seca sobre a agroindústria no sul do país e pela redução das exportações de máquinas agrícolas. Para 2006, o cenário, que já era de reversão na curva de demanda interna, será beneficiado pela redução dos preços do aço na mesma proporção do corte do IPI, afirmou o vice-presidente sênior do grupo, Frederico Gerdau Johannpeter. Se a previsão se confirmar, a Gerdau pode reduzir as exportações no ano, disse Schirmer. Mesmo com a queda das vendas domésticas em 2005, a receita líquida das unidades do grupo instaladas no Brasil registrou alta de 0,2% sobre 2004, para R$ 9,99 bilhões, graças ao aumento de 2,6% nas exportações a partir do país, para quase 2,82 milhões de toneladas. A elevação nos preços médios por tonelada de produto exportado, de US$ 398 para US$ 435, também fez os embarques crescerem 12% em valor, para US$ 1,2 bilhão. No consolidado, as vendas subiram 7,9% em 2005, para 13,55 milhões de toneladas. As unidades no exterior cresceram 21,8% por conta da consolidação da americana North Star Steel e do aumento da participação acionária na colombiana Diaco e argentina Sipar, para 7,22 milhões de toneladas. As operações brasileiras, mesmo com a alta das exportações, caíram 4,9%, para 6,32 milhões de toneladas. A receita líquida consolidada cresceu 8,4%, para R$ 21,24 bilhões, sendo 52,95% por conta das usinas fora do país, que foram favorecidas pelo aumento médio nos preços em dólar de 7% na América do Norte e 5% na América do Sul, explicou Schirmer. Somando-se os embarques a partir do Brasil, as operações externas responderam por 61% da receita líquida. Apesar do aumento da receita, o lucro líquido consolidado oscilou apenas 0,3% positivo, para R$ 3,24 bilhões, devido à redução da margem bruta, de 31,86% para 26,94% entre 2004 e 2005. Conforme Schirmer, os preços praticados no mercado interno não foram reajustados apesar do aumento das matérias-primas como minério de ferro. Nos Estados Unidos, o locaute da unidade de Beaumont provocou perda de US$ 11 milhões. Segundo Schirmer, a Gerdau investiu US$ 858 milhões em 2005, a maior parte (US$ 568,8 milhões) no Brasil. Os aportes levaram o grupo a revisar o programa de investimentos de US$ 3,2 bilhões no período 2005-07 para US$ 3,6 bilhões de 2006 a 2008, quando a capacidade instala do grupo deverá passar das 18,8 milhões para 21 milhões de toneladas anuais. O Brasil receberá US$ 2,3 bilhões do total, o que inclui a conclusão da primeira fase de expansão da usina de Ouro Branco (MG) de 3 milhões, para 4,5 milhões de toneladas anuais. Em novembro do ano passado a Gerdau anunciou também a compra, por ? 185 milhões, de 40% da espanhola Corporación Sidenor, controladora no Brasil da Aços Villares. Nesta semana, o braço Sidenor Internacional apresentará na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de registro da oferta pública para a aquisição de 13% das ações de Aços Villares que estão no mercado, informou Schirmer. Segundo ele, a operação deve se realizar em 60 dias. Conforme o executivo, o grupo mantém sua estratégia de consolidador no mercado siderúrgico mundial e que nos próximos anos "provavelmente" terá a oportunidade de fazer novas aquisições no Estados Unidos. Ele reiterou que a China é um país que "não está descartado" dos planos, assim como outros mercados, entre eles a própria Colômbia, onde a siderúrgica Paz Del Rio estaria à venda. "Não recebemos informação oficial, mas se estiver à venda vamos olhar com certeza", afirmou.