Título: País procura origem de foco de aftosa
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 10/02/2006, Agronegócios, p. B11

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina deu início às investigações para descobrir qual a causa do foco de febre aftosa confirmado na última quarta-feira em 70 bovinos, na cidade de San Luís del Palmar, na província de Corrientes, no norte do país. O órgão trabalha com um prazo de 30 dias para levantar mais informações e, se não for confirmado nenhum outro foco da doença, vai solicitar à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que restaure o status de livre de aftosa com vacinação. Se tudo correr dessa maneira, a estimativa é de que em um total de 60 dias a situação estaria regularizada. Segundo o governo, não há novas suspeitas de foco da doença. Ontem, Brasil, África do Sul, Israel e Chile comunicaram oficialmente a Argentina sobre o embargo, parcial ou total, às exportações de carne. Uruguai, Peru e Paraguai também suspenderam as importações, embora ainda não tenham se pronunciado oficialmente. Segundo a Dow Jones Newswires, a Albânia e Colômbia também proibiram as compras. A expectativa é de que a Rússia, principal importador de carne argentina, também suspenda as compras. O Chile, segundo maior comprador da carne in natura argentina, só deve voltar a importar em quatro a seis meses, conforme as regras sanitárias do país. O Comitê Permanente da Cadeia Alimentar e Saúde Animal da União Européia deve decidir, na próxima semana, que medida tomar em relação à Argentina. Os produtores e empresários do setor de carne da Argentina dizem que é cedo para avaliar o impacto do foco. "Foi a pior notícia que poderíamos receber, um desastre. Mas esperamos que os países adotem a regionalização do embargo, como a UE fez no episódio (de foco de aftosa na província de Salta) de 2003", disse o presidente da Câmara da Indústria e Comércio de Carne e Derivados da Argentina (CICRA), Miguel Schiariti. "Se não for dessa maneira, o Chile, por exemplo, não terá onde comprar, pois os preços vão subir no mercado externo", acrescentou Schiariti, que suspeita que a doença tenha entrado no país através de "contrabandistas paraguaios interessados em prejudicar a posição da Argentina no mercado externo". Já os produtores de Corrientes, acusaram ontem o Senasa de imprudência no manejo das vacinas. O órgão está investigando se a vacinação foi feita em animais com baixa defesa, o que não tem o mesmo resultado imunológico. "O grande problema é a fronteira com Brasil e Paraguai, que não tem nenhuma segurança. Falta uma política regional de combate à doença. Não se pode tratar apenas da fronteira para dentro", disse uma fonte do órgão sanitário.