Título: Déficit comercial americano bate recorde; petróleo e China pesam
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Fonte: Valor Econômico, 13/02/2006, Internacional, p. A8

O déficit na balança comercial dos EUA atingiu o recorde de US$ 725,8 bilhões em 2005, principalmente por causa das importações de petróleo, alimentos, carros e outros bens de consumo, disse na sexta-feira o Departamento do Comércio americano. Segundo o departamento, o aumento do déficit foi de 17,5% em relação ao déficit anterior, de 2004 (que era a marca recorde anterior), que registrou US$ 617,6 bilhões. Foi o quarto ano consecutivo em que a balança de comércio americano com outros países ficou no vermelho. No ano passado, as importações americanas subiram 12,9%, para o total recorde de US$ 2 trilhões, ofuscando o crescimento de 5,7% na exportações, que ficaram em US$ 1,27 trilhão. O resultado de dezembro também teve ampliação do déficit, de 1,5%, para para US$ 65,7 bilhões, o terceiro pior resultado mensal já registrado no país. O déficit com a China atingiu US$ 201,6 bilhões no ano passado, maior já registrado pelos EUA com um outro país. O resultado supera em 24,5% o déficit com a China em 2004, que totalizou US$ 161,9 bilhões. Os produtos têxteis e de vestuário chineses estiveram entre os principais fatores a ampliar o déficit comercial americano em 2005 - quando foram retiradas as cotas de importação. Segundo os dados do Censo americano, os EUA importaram US$ 24,4 bilhões do Brasil em 2005 e exportaram US$ 15,3 bilhões. Registraram, portanto, um déficit de US$ 9,1 bilhões. Em dezembro, os EUA importaram US$ 2,1 bilhões e exportaram US$ 1,5 bilhão para o Brasil. Os dados americanos diferem dos brasileiros por uma questão de metodologia em sua computação. Os números fechados do comércio em 2005 devem servir de munição para os membros da oposição que criticam as políticas comerciais do governo do presidente George W. Bush. Desde 2000 o país já perdeu quase 3 milhões de empregos na indústria de transformação. Os democratas dizem que a política de estabelecer tratados de livre comércio do governo deve intensificar essa tendência. O presidente Bush anunciou no discurso sobre o Estado da União, na semana retrasada, que quer implementar um programa de competitividade, pelo qual pretende dobrar gastos do governo em pesquisa, elevar o corte de impostos para empresas que também investirem em pesquisa e contratar mais professores de matemática e ciências para as escolas públicas.