Título: Vale deixa Chapecó por R$ 10 milhões
Autor: Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 13/02/2006, Empresas &, p. B7
Energia
A Companhia Vale do Rio Doce vai receber R$ 10 milhões pela sua participação no projeto da usina hidrelétrica de Foz do Chapecó, na região Sul. A Vale vendeu sua participação para a estatal federal Furnas, que assumirá até 49% do capital da usina. Na sexta-feira, a direção de Furnas assinou a compra da participação de 40% no consórcio que pertencia à Vale do Rio Doce. A estatal deverá ficar com mais 9% da fatia de 20% que pertence hoje a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). A empresa gaúcha já manifestou o interesse de deixar o consórcio do qual faz parte ainda a CPFL Energia. Com capacidade de geração de 855 megawatts, a usina exigirá R$ 1,8 bilhão em investimentos. E só deverá entrar em operação no início de 2010. O valor de R$ 10 milhões foi calculado com base nas despesas que a mineradora já teve com estudos e projetos de engenharia e impacto ambiental. A negociação com a CEEE deverá estar concluída até amanhã, de acordo com informações do presidente da Eletrobrás, Aloísio Vasconcelos. O mais provável é que a CPFL fique com 11% da participação da companhia gaúcha, elevando sua participação no consórcio dos atuais 40% para 51%. Como o controle será privado, Vasconcelos acredita que não haverá dificuldade para levantar recursos para a construção da usina de Chapecó junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No caso de companhias estatais, o Tesouro tem feito restrições no acesso a novas linhas de crédito, para evitar o aumento de endividamento público. Foz do Chapecó fica no rio Uruguai e sua barragem abrange os municípios de Alpestre, no Rio Grande do Sul, e Águas de Chapecó, em Santa Catarina. As obras devem ter início em março. Segundo diretor-executivo de participações e desenvolvimento de negócios da Vale, Murilo Ferreira, a decisão da companhia de sair de Chapecó foi motivada principalmente pela distância da usina às regiões onde estão concentrados os negócios da mineradora (Sudeste e Norte). Na região Sul, o preço da energia está mais alto do que das regiões Sudeste e Norte. "Não faz sentido trazer energia cara para uma região onde ela está mais barata", disse.