Título: Indústria planeja ampliar investimento
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 14/02/2006, Brasil, p. A4
Conjuntura Pesquisa da FGV mostra que gasto para ampliar capacidade produtiva deve ser 8% maior em 2006
Embalada pela trajetória de queda dos juros, a indústria de transformação já projeta aumentar os investimentos na ampliação da capacidade instalada. Na média, os recursos aplicados deve ficar 8% acima do resultado de 2005. É o que revela a pesquisa de quesito especial da sondagem conjuntural do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, de janeiro. O dado, a ser divulgado hoje, foi levantado entre 459 empresas, que respondem por 25% das vendas da indústria. Para Aloisio Campelo, coordenador das sondagens conjunturais do Ibre, essa previsão, um ponto percentual acima dos 7% de 2005 e igual à de 2004, indica tendência de crescimento maior da economia em 2006, sustentado por investimento direto. Segundo o economista, o fato do setor de bens de capital ter se destacado com a maior previsão de investimento em aumento da capacidade de produção, de 11% ante 8% no ano passado, já confirma essa análise. A área de bens de consumo também tem estimativa de expandir sua capacidade em 9%, acima da média da indústria. A de bens intermediários mantém estabilidade de 7%, enquanto a de material de construção tem projeção de 4%, menor que a do ano passado (7%). Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, disse que entre os números da pesquisa, o de bens de capital foi o que mais lhe chamou a atenção, pois reflete a expectativa de empresários de máquinas e equipamentos de que a continuidade da queda dos juros poderá acelerar investimentos. "O ano passado, quando se apostava no início do ano num PIB de 4%, o produto cresceu apenas 2,5%. O componente que explica essa discrepância, do lado da demanda, é o investimento. Em 2005, a formação bruta de capital de capital fixo (FBCF) deve ter crescido abaixo de 2%, uma diferença de cinco pontos percentuais entre as previsões iniciais de 7%", avaliou. A LCA trabalha com a estimativa de crescimento para a FBCF de 6% este ano, o que pode fazer avançar a taxa de investimento em relação ao PIB para 21% (19,7% em 2005). A FGV levantou ainda a previsão de investimento em capacidade instalada entre os gêneros industriais. O de material elétrico e de comunicações é que deverá ampliar mais sua capacidade, conforme projeção das empresas, de 17% para 22%. "Este segmento promete investir muito em 2006, ano de Copa do mundo. Ele é que está puxando o setor de bens de consumo", constatou Campelo. Borges prevê que uma boa parte desse crescimento esperado em investimento direto em material elétrico e de comunicação está indicando que o " boom" de celulares deve continuar em 2006. Mas observa que esse ramo industrial também fabrica tubos de TV, outra área que deve ficar muito ativa devido ao mundial de futebol. O economista da LCA atribui as estimativas menores de aumento de investimento em capacidade de produção em 2006 de vestuário e calçados (4% ante 7% em 2005) pode ser explicada pelo câmbio apreciado. No tocante a alimentos, cuja previsão empatou com 2005 (9%), considera que se encontra abaixo das expectativas para o ano. O economista crê que o setor de bens de consumo não-duráveis vai "esquentar" em 2006 dado o reajuste do mínimo, de 13% em termos reais, ante 8% em 2005. Caio Prates, do Instituto de Economia (IE) da UFRJ, considera a pesquisa pouco sensível à conjuntura, pois um aumento de um ponto percentual entre 2005 e 2006 na projeção para investimento em capacidade instalada da média da indústria é pouco, dada as diferenças conjunturais dos períodos pesquisados. " No início de 2005 a curva de juros já era para cima e, hoje, está para baixo". Borges discorda. Para ele, o importante são os 8%, "um número elevado, indicativo de que o investimento deve ajudar bastante no crescimento do PIB". Prates, apesar da crítica, acha os 8% um número compatível com a projeção de alta de 6% na indústria no ano, prevista pelo IE.