Título: Setor de segurança privada projeta crescer 6% em 2006
Autor: Patrick Cruz
Fonte: Valor Econômico, 14/02/2006, Empresas &, p. B2
Guarda-costas Aumento da criminalidade é uma das explicações para a ampliação das receitas
A indústria brasileira de segurança privada, que ampliou seu faturamento em 67,7% entre 2002 e 2005, marcha para mais um ano de avanço, segundo projeção da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transportes de Valores (Fenavist). A entidade aposta em crescimento de 6% em comparação com o volume registrado em 2005, o que levaria o faturamento para R$ 12,4 bilhões. O número de trabalhadores formais no setor também avançou no ano passado, passando a 425 mil com o aumento de 6% na força de trabalho. Desse contingente, 382 mil atuam como vigilantes - há hoje no Brasil, portanto, um vigilante para cada 482 habitantes; em 2002, essa proporção era de 552 brasileiros para cada vigilante. O gigantismo dos números mascara deficiências desse mercado no Brasil, diz Calil Buainain Júnior, presidente da Mezzo Planejamento, que, a pedido da Fenavist, elaborou um estudo de quase 400 páginas sobre o segmento. O executivo foi enfático ao dizer que a indústria de segurança privada passa por um mau momento. "As empresas trabalham com margens cada vez menores, o 'canibalismo' de preços é forte e a informalidade ainda é um problema grande", disse ele ao Valor. Mesmo com receitas ascendentes, as despesas continuam a comprometer fatias cada vez maiores do faturamento das empresas privadas de segurança. Em 2000, diz Buainain, a soma total de custos representava, em média, 93% das receitas, parcela que avançou a 98,3% apenas dois anos depois. "As empresas estão frágeis", diz, "e a guerra de preços agrava a situação." A informalidade é outro dos inimigos do setor. Estima-se que o número de vigilantes que atuam ilegalmente no país - ou seja, sem ligação com empresas que têm a chancela de operação concedida pelo Departamento de Polícia Federal - seja duas vezes superior aos 382 mil vigilantes que trabalham de forma legal. O setor aposta na revisão da Lei 7.102, que regulamenta o segmento, para coibir o mal. Uma nova versão da Lei está em análise no Senado. O aumento da criminalidade no Brasil explica o crescimento das receitas e do número de empregados no mercado, mas não é sua única razão, diz Buainain. "O crescimento (do setor) está diretamente ligado ao crescimento da economia: uma economia forte exige mais investimentos em segurança. Tem mais gente comprando casa, companhias investindo (em aumento de capacidade). Essas empresas também aumentam gastos com segurança privada como contraponto ao seguro. Elas investem em segurança privada para pagar menos seguro", disse. Existem hoje 1,8 mil empresas de segurança operando formalmente no Brasil. O estudo da Fenavist mostra uma tendência de concentração do setor, com o desaparecimento principalmente de companhias com menos de 50 empregados. No ramo de transportes de valores, por exemplo, as dez maiores empresas têm mais de 90% do mercado. Buainain acha que esse é um fator positivo, já que a indústria acaba ficando apenas com as empresas mais saudáveis e competitivas. Há quem discorde, entretanto. "A concentração é péssima. Ela pode gerar muito desemprego", disse Odair Jesus da Conceição, vice-presidente da Fenavist para o Nordeste.