Título: Dimas Toledo nega caixa 2 de Furnas à CPI
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 16/02/2006, Política, p. A10
Dimas Toledo, ex-diretor de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas Centrais Elétricas, prestou depoimento morno e sem novidades à CPI dos Correios, na noite de ontem. Ele é acusado de ser o organizador de um esquema de caixa 2 da estatal para irrigar campanhas tucanas e de ter elaborado uma relação de 156 políticos de 12 legendas (PSDB, PFL, PMDB, PTB, PL, PP, PPS, PDT, Prona, PRTB, PSB, PSC e PTB) que teriam se beneficiado do suposto esquema. Dimas negou envolvimento com a lista ou qualquer outro estratagema de repasse de verba não contabilizada ao PSDB. "Quero negar veementemente qualquer participação na elaboração dessa lista. É uma montagem e uma falsificação feita para me prejudicar e para prejudicar os políticos nela relacionados", disse Dimas, logo no início de seu depoimento, iniciado às 18h31. E reiterou: "Nunca ajudei nenhum parlamentar ou as pessoas citadas nessa lista". Dimas negou também conhecer o lobista Nilton Monteiro, responsável por repassar o documento à Polícia Federal e acusado, pelo PSDB, de ser o autor da "falsificação". Vem de Monteiro também as acusações de irregularidades em campanhas tucanas em Minas Gerais em 1998. Em depoimento à PF, o lobista demonstrou conhecer Dimas e citou encontros em restaurantes freqüentados pelo ex-diretor de Furnas. "Não sei como ele conseguiu essas informações sobre mim", afirmou. O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) também fez denúncias negadas por Dimas. Segundo o petebista, cabia à diretoria do depoente o repasse mensal de verbas de caixa 2 para o PT e o PTB. "Me encontrei com o deputado Roberto Jefferson em uma oportunidade, na casa dele, em Brasília. Falava-se que o PTB ia indicar alguém para o meu lugar e tentei convencê-lo a colocar alguém de carreira. Ele disse que gostou de mim e me manteve no cargo. Mas não houve nenhuma negociação de dinheiro ou repasse de verba", disse Dimas. Antes do início do depoimento, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), tentou desqualificar Nilton Monteiro, "o verdadeiro autor dessa lista falsa". O senador elencou as diversas ações na Justiça contra Monteiro. O lobista seria processado por furto, estelionato, roubo e falsificação de documentos, corrupção ativa e formação de quadrilha. "Esse cidadão é capaz de forjar qualquer coisa", afirmou. O líder do PFL, José Agripino (RN), classificou o depoimento como "sem surpresas" e exigiu do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o envio da lista para investigação do Ministério Público. O deputado Maurício Rands (PT-PE) afirmou que a negativa de Dimas "não é suficiente para se afirmar que a lista é falsa". Até o fechamento dessa edição, o depoimento ainda prosseguia no plenário da CPI.