Título: IPC-S da FGV aponta recuo da inflação
Autor: Sergio Lamucci
Fonte: Valor Econômico, 17/02/2006, Brasil, p. A3
A inflação ao consumidor teve forte desaceleração no período de 30 dias encerrado ontem. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu apenas 0,16%, ante uma alta de 0,45% alcançada na semana anterior. Essa queda foi possível devido à menor pressão de produtos e serviços que subiram bastante em janeiro, como os gastos com educação, recreação e transportes e alimentos. Outro grupo que também ajudou a inflação a cair nesta semana foi o vestuário. Com as liquidações de começo de ano, os preços desse segmento cederam 1,19%. O grupo transportes, no entanto, ainda apresenta variação positiva (1,17%), mas menor do que a taxa de 1,61% apurada na semana anterior. Isso ocorreu devido à alta mais contida nos preços de combustíveis e lubrificantes. O álcool, por exemplo, passou de 9,06% para 6,05%, enquanto a gasolina cedeu de 1,59% para 1,03%. Só a variação negativa de 0,36% do item alimentação, por exemplo, respondeu por 41% da redução apresentada pelo IPC-S. De acordo com o economista da FGV, Salomão Quadros, esse recuo nos preços dos alimentos foi reflexo tanto de uma queda sazonal de produtos como alimentos e hortaliças, quanto dos menores preços em alimentos industrializados. "Neste caso, eles já refletem a queda de preços observada no atacado", explica Quadros. Para o economista, não há nenhuma grande pressão de alta de preços vinda do atacado. Os bens de consumo duráveis e não-duráveis tiveram em janeiro pequeno movimento de alta por possível recomposição de lucros, mas isso não se sustentou, avalia Quadros. "Estamos em uma fase de desaceleração forte na inflação que deve prosseguir ao longo deste mês."