Título: BNDES tem lucro recorde de R$ 3,2 bilhões em 2005
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 20/02/2006, Finanças, p. C3
Crédito Resultado do banco registra aumento de 113% sobre ano anterior
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fechou seu balanço de 2005 com um lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, o maior da história da instituição, superior em 113% aos ganhos de R$ 1,4 bilhão de 2004. Guido Mantega, presidente do banco, disse que esse resultado "muito favorável" permitiu à instituição reduzir "spreads" sem perder o equilíbrio financeiro. Mantega admitiu, porém, que a medida poderá reduzir o lucro do BNDES em 2006. O bom resultado de 2005 foi sustentado principalmente pelas operações de mercado de capitais, pagamentos de dividendos e pelo sucesso da segunda cota do PIBB (Papéis Índice Brasil Bovespa). A renda variável respondeu por R$ 1 bilhão desse lucro. Só o PIBB trouxe ganho líquido de R$ 532 milhões ao BNDES. As operações de crédito e aplicações em renda fixa, basicamente títulos públicos, responderam por R$ 2,2 bilhões, sendo que o investimento em renda fixa apresentou ganhos superiores ao das operações de crédito, como admitiu o diretor financeiro da instituição, Carlos Kawall. O recuo do valor das provisões para créditos duvidosos, que baixaram pela metade foi outro fator que contribuiu para o lucro recorde. Em 2004, foram provisionados R$ 1,6 bilhão ante R$ 845 milhões em 2005. "De uma maneira geral, o banco teve menos empresas com novos problemas de crédito, além de ter recuperado provisões feitas anteriormente", contou Kawall. Segundo ele, os maiores problemas de provisões para devedores duvidosos se localizavam no passado nas empresas das privatizações, com destaque para o setor elétrico e de transporte, como ferrovias. O resultado de 2005 permitiu ao BNDES aumentar para R$ 15,7 bilhões seu patrimônio líquido, ante R$ 14,1 bilhões em 2004. Houve elevação da rentabilidade de 21,4% sobre o patrimônio líquido médio, índice que em 2004 situou-se em 11,1%. O fato impactou para cima o patrimônio de referência do banco, que pulou de R$ 21,6 bilhões para R$ 23,2 bilhões, permitindo ampliar para R$ 5,8 bilhões o limite de crédito para grandes grupos. Este crédito é limitado a 25% do patrimônio de referência da instituição. No ano passado, a situação do banco em relação ao índice de adequação de capital (índice de Basiléia) foi confortável, de 17% do seu patrimônio de referência, ante o limite mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. Apesar dessa boa notícia, Mantega confirmou o desejo do BNDES de capitalizar boa parte desse lucro, respeitados os 25% a serem incorporados como dividendos ao seu acionista principal, o Tesouro Nacional. Ele admitiu que há um acerto prévio com a União neste sentido. Se capitalizar 75% desse resultado, ou R$ 2,4 bilhões, a instituição pode tocar suas novas políticas operacionais sem risco.