Título: Empresas do Brasil vão montar fábricas no exterior
Autor: Raquel Landim
Fonte: Valor Econômico, 22/11/2004, Especial, p. A-18

Um dos segmentos mais competitivos da área têxtil, os grandes fabricantes brasileiros de tecido de algodão planejam instalar fábricas no exterior. Vicunha e Santista Têxtil já tomaram a decisão estratégica de construir unidades na América Central, nos países andinos ou no México no próximo ano. O objetivo é conseguir melhores condições de acesso ao mercado americano. Os estudos de viabilidade estão prontos, mas as empresas esperam entrar em vigor o acordo de livre comércio dos Estados Unidos com os centro-americanos para bater o martelo sobre o investimento. A favor do México pesam o bom funcionamento do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) há uma década. Já os centro-americanos contam com mão-de-obra mais barata e a perspectiva de um bom acordo com os EUA. A paralisação das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) influenciou na decisão das duas empresas e existe a perspectiva de que outras sigam o mesmo caminho, se a aliança acabar não saindo do papel. Segundo Vital Jorge Lopes, diretor-financeiro da Vicunha, a empresa planeja instalar uma unidade em países que possuam condições tarifárias diferenciadas. A nova fábrica contará com 20% da capacidade de produção da empresa no Brasil. A Vicunha exporta entre 35% e 40% de sua produção para 80 países. "Estamos analisando a América Central e o Pacto Andino", conta o executivo, acrescentando que ainda não escolheu o país porque está à espera dos acordos bilaterais com os americanos. Lopes critica a falta de acordos de livre comércio do Brasil. A Santista Têxtil já é uma multinacional, pois possui fábricas na Argentina e Chile. De acordo com Herbert Schmid, diretor-presidente, a companhia estuda se instalar na América Central ou no México. Só espera a aprovação do acordo com os centro-americanos no Congresso dos EUA para definir o local. "Não reverteria esse projeto se houvesse a Alca. As confecções dessas regiões já abastecem mais de 50% dos mercado americano. E eles querem o fabricante de tecido perto", diz Schmid. Ele também ressalta, no entanto, que o setor têxtil brasileiro está perdendo competitividade. Graças aos vários acordos bilaterais do Chile, a filial da Santista no país exporta 80% de sua produção. Compradora de 95% da lã produzida no Brasil, a Paramount ainda espera a Alca para tomar qualquer decisão. "Se a Alca for aprovada, não vejo necessidade de fábricas lá fora", diz José Carlos Caramelo, diretor-superintendente da empresa. "Caso contrário teremos que analisar", diz o executivo. (RL)