Título: Alckmin vai levar candidatura às últimas conseqüências
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 21/02/2006, Política, p. A12

Na batalha pela consolidação de seu nome como o candidato pelo PSDB na disputa pela Presidência da República, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin indica estar disposto a levar sua candidatura às últimas conseqüências e não abre mão da disputa para José Serra, prefeito da capital. Hoje, Alckmin tentará dar suas últimas cartadas à cúpula tucana responsável pela decisão: o presidente da legenda, senador Tasso Jereissati, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Na peregrinação entre os tucanos, o governador paulista reservou o dia para também falar com as bancadas estadual e federal da sigla. "Não mudei. A minha posição é uma só. Sou pré-candidato e encerro uma missão no Estado", disse. Em suas palavras, Alckmin tentou mostrar que não será o "triunvirato" tucano que decidirá se ele será ou não o candidato. "Eles não vão decidir. Vão interpretar o sentimento partidário", afirmou ontem, depois da assinatura de uma lei de incentivo à cultura, em São Paulo. "A tarefa da direção é ouvir, dialogar". Diante dessa hipótese, argumentou que as prévias não são essenciais para definir o postulante. Mas não descartou a possibilidade. "Talvez não haja necessidade de prévias. Não podemos pular etapas. Nós estamos na etapa das conversas". Quando questionado se estaria chateado como o governador de Goiás, Marconi Perillo, que reclamou ter sido deixado de lado na decisão partidária, Alckmin assinalou que não tem críticas aos três responsáveis pela decisão tucana e procurou demonstrar tranqüilidade. Dizendo-se apenas como "facilitador da decisão tucana", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que não descarta prévias no PSDB para a escolha do candidato a presidente. Na abertura do Congresso Internacional de Oftamologia que "nenhum democrata " pode ser contra prévias, mas isso ainda não está decidido no partido. Só serão realizadas se for necessário, mas ele acha que haverá consenso sem precisar se chegar a prévias. Segundo Fernando Henrique, não é a cúpula (triunvirato) que vai decidir. "Somos apenas facilitadores de uma decisão. Não estamos aqui para decidir nada, mas para tentar saber se é possível se chegar a um acordo comum. Acho que isso é possível. Estou muito confiante nisso. Então não vamos tomar nenhuma decisão", disse ontem. " Se isso não for possível, se não houver consenso, se não formos felizes em criar uma situação favorável ao consenso, é claro que isso não ser decidido por dois ou três. Tem que ser ouvido o partido mais amplamente", explicou FHC ontem, em São Paulo, na abertura do Congresso Mundial de Oftamologia, em que foi palestrante. A bancada dos deputados da Assembléia Legislativa deve dar apoio maciço à candidatura do governador. Depois do encontro com os parlamentares paulista, Alckmin assinará um convênio para permuta de imóveis com a prefeitura, governada por Serra. A agenda de pré-candidatura termina em Brasília, em um jantar na casa do deputado licenciado Eduardo Gomes (TO), com deputados tucanos. Ontem Alckmin almoçou com o presidente do PPS, Roberto Freire. (Com agências noticiosas)