Título: Estado agora tem pressa para encerrar a "novela"
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 21/02/2006, Agronegócios, p. B16

Depois de lutar por quatro meses contra as decisões do Ministério da Agricultura, o Paraná admite agora ter pressa em colocar um fim na novela da aftosa. Ontem a Secretaria da Agricultura do Estado divulgou nota sobre o anúncio de seis focos. Nela, embora conteste a decisão, informou que "está tomando todas as medidas de caráter sanitário para, o mais rapidamente possível, juntamente com o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) e o Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec), restituir a condição sanitária de zona livre de febre aftosa, com vacinação". Mas a decisão da secretaria não significa que o sacrifício dos animais, já autorizado pelo ministério, acontecerá nos próximos dias. Fontes ligadas ao setor têm visões diferentes do que está por vir. Algumas pessoas dão como certo que esses pecuaristas, a exemplo do que fez André Carioba - dono da Fazenda Cachoeira, onde foi confirmado o primeiro foco - entrarão na justiça para impedir a morte do gado, o que poderá gerar novos capítulos. Outras acreditam que eles aceitarão os focos e receberão a indenização, para que o Paraná possa voltar logo a exportar carne. "Faremos apelo aos proprietários para que não entrem com ações", disse o superintendente do ministério no Paraná, Valmir Kowalewski de Souza, enquanto trabalhava na formação da comissão que fará a avaliação do gado. Se depender do pecuarista José Moacir Turquino, da Fazenda Flor do Café, de Bela Vista do Paraíso, o pedido será atendido. Depois de resistir ao sacrifício de 1.075 animais de outra fazenda, a Bonanza, de Eldorado (MS), ele admite estar cansado. Turquino esclarece que fará o que for decidido em conjunto com os donos das outras cinco propriedades, que conversarão hoje para decidir. Pelo menos um já prometeu resistir. A Cesumar informou, por meio de assessoria de imprensa, que "as bases do ministério são inconsistentes". Se depender do advogado Ricardo Jorge Rocha Pereira, que atende Carioba e cinco das seis novas fazendas da lista, a luta continua. "Trata-se de um ato de arbitrariedade", disse ele após conseguir adiar novamente o sacrifício do rebanho da Cachoeira. Depois de a juíza federal Vânia Hack de Almeida, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, ter liberado na sexta o sacrifício do gado, ela foi informada da segunda liminar proferida pelo juiz federal Cleber Sanfelici Otero, da 3ª Vara Federal de Londrina (PR), e o abate voltou a depender de depósito em juízo de R$ 1,28 milhão, com liberação imediata de 50% a Carioba.