Título: Valor de suposta propina para russos é igual a tarifa especial
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 21/02/2006, Agronegócios, p. B16
Alvo freqüente de boatos que circulam entre fontes do setor, o suposto pagamento de propina a fiscais russos que trabalham no país para a liberação de cargas de carnes brasileiras destinada àquele país foi negado por representantes dos governos dos dois países em evento sobre as relações bilaterais ontem no Rio. "São invenções de gente que quer conseguir algo", disse Vladimir Tyurdenev, embaixador da Rússia no Brasil. Segundo ele, "as autoridades russas não aceitam isso. É ilegal e, na hipótese de o suborno ser provado, a situação das exportações brasileiras de carne para a Rússia poderá piorar". Maçao Tadano, chefe de gabinete do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, negou a informação, mesmo caminho de Pratini de Moraes, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). "Atribuo isso a uma ação da concorrência do Brasil no exterior", disse Pratini. Segundo Antônio Camardelli, diretor da Abiec, a permissão pela Rússia de que o Brasil continuasse exportando carne bovina produzida antes de 12 de dezembro explica o crescimento das exportações apesar do embargo russo por causa da aftosa. Ele reiterou que a única taxa paga são os US$ 14,50 aos veterinários russos. Segundo um trader brasileiro, os US$ 125/tonelada que seriam cobrados como propina, conforme denúncia do jornal "O Estado de S. Paulo", coincide com o valor das licenças especiais emitidas pelo governo russo para venda fora das cotas.(FG)