Título: Embargos ainda parecem longe do fim
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 21/02/2006, Agronegócios, p. B16

O fim dos embargos da Rússia e União Européia, os dois maiores importadores de carne bovina do Brasil, parece estar mais distante do que esperavam os exportadores e o governo brasileiro. Ontem, no Rio, o embaixador da Rússia no Brasil, Vladimir Tyurdenev, disse que o fim do embargo russo à carne bovina passa pelo controle da febre aftosa no país. "Nós temos o Brasil como um parceiro importante no comércio de carne bovina, mas precisamos ter certeza de que dentro do país está sendo feito tudo para evitar esse problema (a aftosa)", disse. Ele afirmou que a demora de mais de um mês para confirmar se havia aftosa no Paraná foi motivo de preocupação para os russos. "Não podemos aceitar que por mais de um mês ficamos sem saber se havia ou não focos de aftosa no Paraná", afirmou Tyurdenev. Ele não quis fazer previsões sobre quando ocorrerá o fim do embargo. "É um tema que depende das autoridades veterinárias russas, que não aceitam razões políticas ou qualquer outro argumento que não seja técnico, para levantar o embargo", disse o embaixador durante seminário sobre as relações Brasil-Rússia. Presente ao evento, Pratini de Moraes, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), disse que a expectativa do setor é de que o fim do embargo russo ocorra a curtíssimo prazo. "Esperamos que o tema já tenha entrado na fase final". Já a União Européia indicou na reunião do Comitê Permanente da Cadeia Alimentar e de Saúde Animal, na semana passada, que não está satisfeita com os controles da aftosa no Brasil e que poderá ampliar o embargo para todo o país se determinados "tópicos não forem substancialmente melhorados". A informação consta de comunicado da britânica International Meat Trade Association a seus associados. Conforme o comunicado, a UE vai exigir garantias na vigilância contra aftosa. Além disso, animais cuja carne será destinada à exportação para a União Européia não poderão ser misturados nos abatedouros com animais destinados a outros mercados. Os animais que serão abatidos para a UE também deverão vir de áreas onde nos últimos três meses não houve entrada de gado de áreas não aprovadas para exportar ao bloco europeu. Segundo Jorge Caetano, do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, a medida que prevê não misturar animais já é um antecipação do conceito de fazenda certificada que estará no novo Sisbov, sistema de identificação do gado bovino. Disse ainda que o período de três meses já estava previsto em instrução da Secretaria de Defesa Agropecuária desde agosto de 2005. A União Européia também deve enviar nova missão ao Brasil em junho, diz o comunicado. Assim, a avaliação, até entre fontes do governo, é que o embargo não será levantado antes desse mês. Para uma fonte que atua na exportação, "é muito remota a possibilidade de a UE embargar todo o Brasil" . Se mostra preocupação com o Brasil, o comunicado diz que a UE elogiou a rapidez com que a Argentina agiu após o foco de aftosa em Corrientes este mês. (Colaborou MZ)