Título: Gripe afeta consumo e preço de exportação de frango
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 21/02/2006, Agronegócios, p. B16

O temor do consumidor - principalmente na Europa e no Oriente Médio - em relação à gripe aviária já começa a se refletir nos números das exportações brasileiras de carne de frango. Em janeiro, os preços médios no mercado externo caíram 10,3% na comparação com dezembro de 2005, para US$ 1.310 por tonelada, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango - Abef. Os volumes de carne de frango embarcados em janeiro também ficaram 13% abaixo dos de dezembro de 2005, somando 213,7 mil toneladas. Em relação a janeiro de 2005, porém, há um crescimento de 13,73% nos volumes. A receita com as vendas externas de frango em janeiro ficaram em US$ 280,8 milhões, alta de 41,5% sobre o mesmo mês de 2005. Ante dezembro passado, quando os embarques somaram US$ 358,2 milhões, no entanto, a queda é significativa. O presidente da Abef, Ricardo Gonçalves, reconheceu que os números já mostram impacto da preocupação do consumidor com o avanço da gripe aviária em regiões da Europa, principalmente. "Os preços começaram a baixar. Há preocupação, emocional até certo ponto, por isso existe restrição de consumo, dependendo da região ", afirmou. Ele acrescentou que em países como a França, onde a doença foi confirmada no fim de semana, há notícias de queda de 15% a 20% no consumo de carne de frango. "Essa reação emocional não tem fundamento porque a carne de frango é cozida e [assim] não representa risco de contaminação". Gonçalves explicou que a retração dos consumidores eleva os estoques de carne de frango em países importadores, por isso defendeu uma redução da produção de frango no Brasil. Na Europa, Oriente Médio e também no Japão, os estoques atendem dois meses de consumo, disse o executivo. Segundo Gonçalves, diferentemente de outros momentos, o setor vive hoje uma crise de demanda e não de oferta. Ele deu a entender que isso seria um estímulo para a redução da produção, o que deve começar a aparecer "no fim do mês". Se o corte não ocorrer, afirmou, haverá pressão de oferta de frango no mercado interno. Diante das incertezas geradas pela gripe aviária, Gonçalves preferiu não fazer previsões para o volume de exportação este ano. No fim de 2005, a previsão era de aumento de 5% a 10% nos volumes, que somaram 2,85 milhões de toneladas. Segundo ele, tudo vai depender dos cenários futuros. "É pouco provável que haja mortes de pessoas na Europa, por isso a retração [do consumo] deve ser passageira". No caso de mortes de humanos, porém, a situação pode ser "cataclísmica", reconheceu. No primeiro cenário, os embarques de carne de frango poderiam se recuperar no segundo semestre.(AAR)