Título: CNBB critica resultado do PIB e políticas sociais
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 02/03/2006, Política, p. A6

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi fortemente criticado ontem pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No lançamento da 42ª Campanha da Fraternidade, que traz como bandeira a defesa dos portadores de deficiência, bispos católicos atacaram os resultados do crescimento econômico do país e pediu uma revisão das políticas sociais e econômicas. Representando a entidade, o secretário-geral dom Odilo Pedro Scherer, disse ontem, em Brasília, que existem "lacunas e descompassos" no combate à pobreza e pediu mais atenção do governo às questões sociais: "Existem necessidades não devidamente contempladas. O fato é que, a superação da pobreza, a geração de emprego, a segurança, precisam de nova atenção das políticas públicas". As críticas mais diretas ao presidente foram em relação às propostas de campanha. O bispo reclamou que o presidente não realizou tudo o que prometera. "Temos conhecimento das pressões existentes, mas é preciso que interesses da sociedade também sejam satisfeitos", afirmou. Em São Paulo, além da missa na catedral da Sé servir como cenário de campanha do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência pelo PSDB, o cardeal-arcebispo da cidade, dom Cláudio Hummes, bispo de Santo André (SP) na época em que Lula projetou-se na política sindical, questionou a política econômica e o resultado do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no país em 2005, de 2,3% , que em sua opinião é uma "surpresa desagradável" e "muito abaixo da esperança e das previsões". "Talvez o Brasil tenha feito um caminho duro, difícil, de estabilizar sua economia e vencer sua inflação. Mas todos acreditam que é hora, mais do que hora, de dar um novo passo. E que seja em direção ao crescimento". Já a atuação do governo sobre os programas de transferência de renda foi elogiada, mas com ressalvas. "É importante para o povo ter um programa de transferência de renda e de pobreza, senão vai passar fome. A transferência de renda para o povo mais pobre só pode ser aplaudida. Mas isso deve ser acompanhado de toda uma política que acabe dando trabalho a eles e o mais rápido possível", defendeu o bispo. Hummes indicou que a Igreja não apoiará, de forma clara, um candidato ou partido. A defesa será de valores éticos, "ligados à dignidade humana". "A Igreja não faz política partidária, nem deve fazer. Não faz política partidária", disse. "A Igreja quer ajudar a pensar, a indicar critérios éticos, enfim, que sejam de Justiça, onde se atinjam o bem comum de todos. A questão da ética no sentido de uma luta contra corrupção."