Título: Varig pagará em juízo dívida com credores
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 22/02/2006, Empresas &, p. B2

A Varig vai depositar em juízo os R$ 100 milhões referentes ao pagamento inicial de sua dívida com credores com e sem garantias, caso o detalhamento de seu plano de recuperação judicial não seja aprovado na assembléia de amanhã. O valor seria pago em 36 parcelas mensais sucessivas. A primeira delas seria depositada ainda este mês. A aérea informou que o depósito do dinheiro é uma manifestação de que a empresa está cumprindo com os compromissos assumidos com os credores. O plano da companhia, aprovado em dezembro em assembléia, prevê o pagamento de 80% desse total aos credores da classe 2 (com garantia), com rateio proporcional aos créditos correspondentes. Os outros 20% seriam destinados aos credores da classe 3 (sem garantia), sendo metade em rateio proporcional aos créditos correspondentes e a outra metade, em divisão pelo número total de credores desta classe. O clima entre os credores e a empresa esquentou nos últimos dias por causa da redação do texto final da nova estrutura societária da aérea. Os credores com e sem garantias defendiam a escolha de um único gestor para o FIP-Controle, que vai concentrar o núcleo de controle da companhia. A idéia era escolher esse gestor antes mesmo da assembléia. A Varig, por sua vez, apostava na escolha de um comitê gestor formado por quatro membros para gerir esse fundo. Ontem, a aérea encaminhou aos credores a redação final do documento, que ainda será submetida ao crivo deles na reunião de amanhã. O Valor apurou que a Varig aceitou algumas das reivindicações feitas pelos credores, entre elas a alteração da cláusula referente aos prazos de pagamento da dívida e de carência, mas acatou apenas parcialmente, por exemplo, o pleito relativo à formação do comitê gestor do FIP-Controle. A companhia nomeará apenas um gestor para o fundo, como pleiteavam os credores, mas não admite a escolha prévia de um nome. O gestor seria escolhido em assembléia marcada para 20 de março. De acordo com o documento, esse gestor assumiria a administração do FIP-Controle até que o fundo atingisse uma capitalização de R$ 700 milhões. A partir daí, seria gerenciado por um comitê gestor. A decisão desagradou alguns credores, que irão se reunir hoje novamente com a Varig para tentar chegar a um consenso antes da assembléia. " O plano vai ser definido no voto. Queremos que o gestor seja escolhido imediatamente " , disse Odilon Junqueira, presidente do fundo de pensão Aerus. Antônio Luís de Mello e Souza, sócio-diretor da ASM Asset Managment, rebateu. " Para quinta-feira existe uma pauta exclusiva de retificação do detalhamento do plano a ser votada. Eventuais nomeações de cargos não fazem parte dessa pauta " , disse. A ASM foi contratada pela Varig para elaborar a nova estrutura societária da empresa. A juíza da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Márcia Cunha, uma das responsáveis pelo processo de recuperação judicial da Varig, afirmou que aqueles credores que estiverem insatisfeitos com o modelo a ser apresentado pela Varig na reunião poderão colocar em votação apenas alterações na estrutura do FIP. Segundo ela, o que estará sendo discutido é o detalhamento do fundo e não alterações no plano de recuperação já aprovado anteriormente. " O plano não será alterado " , afirmou taxativa. Os credores ficaram insatisfeitos com as alterações feitas pela Varig no que diz respeito ao poder de veto da Fundação Ruben Berta (FRB) no FIP-Controle. Segundo o representante de um grande credor da classe 3, o texto prevê que, apesar de estar prevista a conversão de 87% das ações da FRB em cotas do FIP-Controle, a Fundação continuaria a ter uma série de direitos políticos. " Continuamos com o temor de que a Fundação barre qualquer mudança do dia-a-dia da empresa " , disse esse representante.