Título: País perde para a Ásia os recursos de private equities
Autor: Altamiro Silva Júnior
Fonte: Valor Econômico, 22/02/2006, Finanças, p. C5
Os investidores globais dos fundos de private equity redescobriram os mercados emergentes no ano passado, mas o Brasil ficou de fora. Índia, China e até os países do Leste Europeu foram os que atraíram mais recursos, avalia Sarah Alexander, da Emerging Markets Private Equity Association (Empea), associação baseada em Washington que reúne os principais gestores mundiais de fundos. "O país precisa se mostrar mais lá fora", diz. Segundo ela, a maior parte dos grandes investidores americanos ignora que houve mais de 20 emissões de ações no Brasil nos últimos dois anos, que levantaram mais de US$ 12 bilhões. "Há um enorme fosso entre a percepção e a realidade da visão que o investidor dos Estados Unidos e Europa têm do Brasil." Entre 2004 e 2005, o total de recursos levantados por fundos de private equity voltados para a Ásia (exceto Japão) cresceu nada menos que 525%, para US$ 14,7 bilhões, revela um levantamento da Empea. Na América Latina, o aumento foi cinco vezes menor, de 103%, com um total de US$ 2,1 bilhões captados. Rússia e países da Europa (incluindo os do Leste) registraram alta de 261% nas captações, para US$ 2,3 bilhões. Alto crescimento econômico (não raro acima dos 10% ao ano) e reformas no sistema bancário estão entre os fatores que atraem bilhões de dólares para países como China e Índia, avalia Sarah. No Brasil, além das baixas taxas de crescimento, há outros fatores, como a falta de conhecimento do estrangeiro sobre o mercado, falta de oportunidades para o fundo vender a participação da empresa e o tamanho relativamente pequeno dos fundos. A executiva avalia que o país deve oferecer outras alternativas para o fundo, não apenas a abertura de capital. "O investimento do fundo de private equity é de longo prazo e o humor do mercado de capitais pode mudar neste período", diz. Os desinvestimentos dos private equities na Ásia, por exemplo, renderam US$ 9,3 bilhão para as carteiras na Ásia entre janeiro e agosto do ano passado; na América Latina, não chegaram a US$ 1 bilhão. Uma pesquisa da Empea, em fase de conclusão, ouviu 38 investidores na Europa e Estados Unidos. Dados preliminares mostram que 61% deles disseram que vão aumentar os investimentos nos países emergentes nos próximos cinco anos; 49% já estão investindo em duas ou mais regiões. Na América Latina, 47% disseram "estar observando, mas não investindo", 21% "investindo". O preocupante é que 32% dizem "não estar interessados" na região. (ASJ)