Título: Fundo de private equity deve movimentar US$ 1 bi este ano
Autor: Altamiro Silva Júnior
Fonte: Valor Econômico, 23/02/2006, Finanças, p. C15
Investimento Finep prepara carteira de US$ 500 mi com ajuda de estrangeiro
Os fundos de private equity e venture capital (que compram participações em empresas) devem movimentar US$ 1 bilhão este ano e em 2007, prevê a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap), o dobro do valor que movimentava anualmente nos últimos dez anos. Entre as novidades preparadas para este ano, está um fundo de US$ 500 milhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara um novo programa de investimentos para as carteiras de private equity que investem no setor de infra-estrutura e o Banco do Brasil, que tem R$ 280 milhões disponíveis para aplicar em private equity, informou que prepara um revisão de sua política para o segmento. O projeto da Finep é montar um "fundo de fundos", ou seja, criar uma carteira que vai aplicar recursos em outros fundos deprivate equity e de venture capital. O lançamento será anunciado dia 27 de março em Brasília durante a reunião bianual da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A carteira terá recursos do governo, dos fundos de pensão e principalmente dos investidores estrangeiros, beneficiado agora pela isenção do Imposto de Renda (IR), informa Eduardo Costa, da Finep. A Finep está contratando uma consultoria para apresentar o fundo em cidades da Europa, Estados Unidos e Ásia. "Temos que aproveitar este momento de alta liquidez no mercado internacional", diz Costa. A gestão do fundo será dividida entre um banco brasileiro e um banco estrangeiro. Inicialmente, o fundo foi desenhado para ter US$ 1 bilhão, mas para agilizar a estruturação da carteira, o governo decidiu baixar o valor para US$ 500 milhões. O fundo deve aplicar em 166 empresas, a maioria delas de pequeno e médio porte e todas candidatas a abrir o capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Dos US$ 500 milhões, a metade deve vir de investidores estrangeiros. O governo e um grupo de fundos de pensão de menor porte devem fazer um aporte de US$ 125 milhões cada. O projeto foi apresentado ontem no encerramento do IV Encontro Anual de Gestores e Investidores - Congresso ABVCap 2006, em Porto Alegre. Já o BNDES, segundo seu diretor Carlos Kawall, estuda um novo programa para os fundos que aplicam em infra-estrutura. "Vislumbramos o início de um novo ciclo para os fundos de private equity no Brasil", diz. O orçamento deste novo programa deve ser mais "substancial" que os atuais R$ 260 milhões que o banco destina para os fundos de private equity e venture capital, informa Kawall. Deste total, o BNDES ainda tem em caixa R$ 100 milhões que serão investidos em quatro fundos ainda este ano. Segundo ele, a experiência que o banco teve até agora com as carteiras que investem em infra-estrutura não foi tão bem-sucedida como se esperava. Investimentos dos fundos no setor de petróleo e gás, por exemplo, tiveram retorno bem abaixo do esperado. O Banco do Brasil também resolveu apostar no private equity. O BB criou há dois anos um programa específico para aplicar em fundos de capital de risco. O banco separou R$ 400 milhões, dos quais já investiu R$ 120 milhões em duas carteiras, uma da GP Investimentos que investe em logística e deve ser lançada nas próximas semanas e outra do Banco Pactual para o setor de energia que já está pronta para investir. O banco ainda tem R$ 280 milhões disponíveis, mas deve rever este programa em julho, informa Francisco Duda, do BB, sem revelar maiores detalhes. Segundo Álvaro Gonçalves, presidente da ABVCap, do cerca de US$ 1 bilhão esperado para este ano, a maior parte dos investimentos será destinado para o setor de infra-estrutura. O capital nacional deve ser a maior fonte de recursos dos fundos, com cerca de US$ 750 milhões. Do exterior, são esperados US$ 250 milhões. A média de US$ 1 bilhão esperada para 2006 e 2007 deve triplicar a partir de 2008, podendo chegar a US$ 3 bilhões por ano, puxado pelos estrangeiros. "É preciso gastar muita ´sola de sapato´ para conquistar o interesse de investidores globais", afirmou o vice-presidente de relações com investidores da Gerdau, Osvaldo Schirmer, reforçando a necessidade da ida dos brasileiros ao exterior para mostrar o país aos investidores.