Título: PFL assumirá caixa de SP com R$ 573 milhões a mais
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 24/02/2006, Política, p. A8

Com a anunciada desincompatibilização do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) em 31 de março, o PFL assumirá o governo paulista com R$ 573 milhões a mais do que os tucanos previam. O Orçamento do Estado, depois de dois meses de atraso, foi aprovado com emendas, à revelia dos deputados tucanos, e garantirá um caixa recheado para o vice pefelista Cláudio Lembo. A jogada política do PFL foi bem sucedida na Assembléia paulista e garantiu aos 94 deputados da Casa R$ 2 milhões para gastos com emendas, fundamentais em ano ano eleitoral. Com o agrado aos parlamentares e com a presidência da Assembléia e ampla participação nas principais comissões da Casa, o PFL pretende ganhar apoio da base governista e se cacifar para a eleição ao governo do Estado. A candidatura própria ficaria mais viável, mas a hipótese de apoio ao posto de vice na chapa do PSDB ainda não está descartada. Enviada pelo governo à Assembléia em setembro de 2005, a peça orçamentária de R$ 80,7 bilhões aumentou para R$ 81,29 bilhões. Os petistas vincularam a votação do Orçamento estadual ao da União e os pefelistas ficaram na surdina nas primeiras semanas do mês. Sem o Orçamento aprovado, os gastos do governador ficaram limitados a um duodécimo da peça enviada pelo Executivo e não poderia gastar o excesso de arrecadação. O consenso veio na quarta-feira, com a aprovação do aumento de R$ 573 milhões. O descontentamento dos pefelistas com Alckmin ficou claro na escolha do presidente da Casa, no ano passado, quando aliaram-se ao PT para alçar o deputado Rodrigo Garcia (PFL) e derrotar o candidato do governo. O PFL também tirou das mãos tucanas a relatoria do Orçamento e a presidência da Comissão de Finanças e Orçamento. "O Legislativo só carimbava o que o Executivo mandava. Isso mudou agora", afirmou o presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, José Caldini Crespo. O líder do governo, Edson Aparecido, negou qualquer dificuldade. "Não há nenhum problema no relacionamento dos dois partidos", desconversou. Com o PFL na relatoria, as emendas pontuais, suspensas há mais de uma década, foram incorporadas. "Conseguimos adesão do bloco de sustentação do governo e com essa pressão o governador teve de descer do pedestal e conversar", comemorou Mário Reali (PT). "Antes o Orçamento era blindado". O projeto de lei aprovado incorporou parte dos pedidos feitos em 49 audiências públicas e prevê aumento de verba para o Ministério Público, Tribunal de Justiça e Assembléia Legislativa. A Unesp receberá mais R$ 10 milhões e o Fundo de Cultura, R$ 25 milhões. "Quem vai executar o orçamento inovador é o Lembo", comemorou Caldini Crespo. Ontem, no exercício de governador, Cláudio Lembo confirmou que Alckmin sairá do cargo em 31 de março e afirmou que vai assumir o posto com calma e tranqüilidade. Lembo disse também que manterá em seu governo "o mesmo respeito e transparência". A definição de uma possível aliança entre PFL e PSDB para concorrer ao governo do Estado ainda é incerta. "Parceria não é subordinação", reclamou o pefelista Caldini Crespo. "Depois de doze anos de parceria, por que não inverter e deixar o PFL ser cabeça de chapa? Se isso não pode acontecer, então não é parceria". Os tucanos devem investir na aproximação. "O PSDB não causou esse distanciamento. Se depender de nós, continuaremos com a parceria nesse casamento", avaliou o deputado tucano Vaz de Lima. (Colaborou Alda do Amaral Rocha)