Título: Governo quer incentivar centros de desenvolvimento
Autor: Heloisa Magalhães
Fonte: Valor Econômico, 01/03/2006, Empresas &, p. B3

O financiamento à produção de chips sob encomenda e o estímulo às chamadas "design houses" - os centros que projetam os chips - fazem parte do Programa Nacional de Projetos de Semicondutores. O coordenador-geral de microeletrônica do Ministério da Ciência e Tecnologia, Henrique Miguel, diz que o governo está orquestrando uma ação para desenvolver pólos em diversas áreas do país com o objetivo de melhorar a capacitação de profissionais do setor. O foco inicial está em projetos de desenho de chips e na capacitação de recursos humanos. Os centros de design abastecerão médias e pequenas empresas que não têm condições de encomendar semicondutores. Inspirada no Instituto Fraunhöfer, da Alemanha, a estratégia brasileira vai apoiar os centros de desenvolvimento e financiar as empresas interessadas em projetos próprios de chips. Edmundo Oliveira, gerente geral da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), explica que há outros passos sendo trilhados. O governo mantém a meta de atrair uma grande empresa do setor, criando aqui todas as etapas de produção de chips. O governo de Minas Gerais é um dos mais empenhados em atrair uma grande indústria do setor e busca, junto com a alemã MWZander, interessados em se instalar na zona industrial próxima ao aeroporto de Confins. O secretário de desenvolvimento econômico do governo do Estado, Wilson Brumer, diz que já existe um parceiro inglês. Mas Brumer afirma que para esse tipo de negócio, que exige investimento alto, é fundamental legislação tributária adequada, como fazem os países que atraíram grandes indústrias do setor. " O Brasil importa da ordem de US$ 3 bilhões em semicondutores por ano, o que deixa claro que há espaço para investimento no setor. Devemos ter uma estratégia montada até junho", diz. Por enquanto, entre os passos concretos estão o apoio às design houses e a formação de recursos humanos. No projeto da Finep foram destacados cinco centros de desenvolvimento que serão beneficiados com R$ 23,7 milhões. O gaúcho Ceitec, uma design house com capacidade de produzir circuitos integrados em pequenas quantidades, pretende atender as áreas de telecomunicações, automação bancária e industrial, em setores de mecânica e elétrica. O centro já recebeu R$ 30,5 milhões do MCT, que estão sendo em parte utilizados nas obras de construção civil das instalações. Mas apesar de ter a linha de produção de chips doada pela Motorola, o Ceitec ainda depende da aprovação do orçamento da União para os R$ 118 milhões fundamentais para continuar as obras. "Precisamos dos recursos para que não haja paralisação da obra. Já estamos atrasados três meses em relação ao cronograma assinado com a construtora em maio de 2005", explica o diretor técnico do Ceitec e um dos idealizadores do projeto, o professor especializado na área de microeletrônica, Sérgio Bampi. Em Pernambuco, o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), vinculado à Universidade Federal de Pernambuco, também tem projetos com a Motorola. Em Campinas (SP), o Centro de Pesquisas Renato Archer, em parceria com o Centro de Tecnologia da Embrapa, está atuando no desenvolvimento de produtos para agronegócios. (HM)