Título: Indústria procura financiamento para chips nacionais
Autor: Heloisa Magalhães
Fonte: Valor Econômico, 01/03/2006, Empresas &, p. B3
Semicondutores Demanda por circuitos integrados está em alta, mas faltam recursos para projetos no país
Nos últimos meses, a brasileira CIS Eletrônica, fornecedora de produtos para automação comercial e bancária, ampliou suas vendas no mercado interno e as exportações. A empresa credita parte dos resultados à decisão de munir seus equipamentos com chips projetado sob encomenda - um circuito integrado específico para suas leitoras de cartões magnéticos. Agora, a companhia acaba de encomendar outro projeto similar, desta vez para leitoras com perfil criptográfico, uma tecnologia que garante mais segurança para quem presta e usa o serviço, afirma o diretor de marketing da empresa, Sadao Isuyama. O projeto vai absorver R$ 1,6 milhão e será desenvolvido em conjunto com o Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA), de Campinas (SP), que sucedeu a Fundação Centro Tecnológico da Informática (CTI), criada em 1982. Não se trata de um caso isolado. A CIS faz parte de um grupo de empresas que optaram por encomendar chips desenvolvidos no Brasil. Com isso, a demanda por esse tipo de tecnologia - conhecida pela sigla em inglês Asic, de circuito integrado dedicado a funções específicas - mostra sinais de aquecimento. Para o professor Carlos Mamana, do CenPRA, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a tendência mostra uma retomada do movimento que chegou a ser iniciado na década de 80, mas foi rompido nos anos 90 com a abertura do mercado. Resta o governo ajustar seu orçamento de pesquisa e desenvolvimento a essa nova realidade. No ano passado, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao MCT, fez uma chamada pública e 50 empresas se candidataram a recursos para financiar o desenvolvimento de projetos próprios de chip. O orçamento da entidade, de apenas R$ 8 milhões, só foi suficiente para apoiar 13 projetos. Outra chamada está sendo preparada para 2006, mas com recursos ainda mais magros - serão destinados R$ 4 milhões. Apesar de o setor de semicondutores ser uma das áreas contempladas na política industrial do governo federal, a própria Finep reconhece que o montante é insuficientes diante da demanda. A expectativa do órgão é conseguir englobar os projetos da área de microeletrônica no programa de cooperação entre empresas e institutos e centros tecnológicos, para o qual estão previstos R$ 25 milhões, explica Eduardo Lopes de Oliveira e Silva, da área de inovação para competitividade empresarial da Finep. Uma nova fonte para financiar projetos de chips pode vir do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que está lançando uma linha voltada para inovação, em que se encaixam esses produtos. No grupo que recebeu recursos no ano passado está, entre outras empresas, a Intelbras, da área de telecomunicações, que contratou o CenPRA para projetar chips para telefones sem fio. A gaúcha Althus acertou com Centro de Excelência em Tecnologia Avançada (Ceitec), de Porto Alegre. O projeto, orçado em R$ 700 mil, vai desenvolver chips para sistemas de controle de processos industriais. Já o Laboratório de Microeletrônica do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet) fará o circuito integrado para coletores de pesquisas de opinião da empresa Solvis.