Título: Caixa barateia linhas de crédito na segunda-feira
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 03/03/2006, Finanças, p. C2

A Caixa Econômica Federal decidiu não esperar pelo resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana, cortando os juros de algumas linhas de crédito a partir da segunda-feira. Em alguns casos, a redução das taxas supera o corte nos juros básicos esperado pelo mercado financeiro. Os mais otimistas acreditam que o BC vai cortar a taxa em 1 ponto percentual, para 16,25% ao ano. No caso do cheque especial da Caixa, entretanto, a queda chegará a 9,38 pontos percentuais, na taxa anual. A informação da Caixa é que, além de repassar para os clientes os ganhos do afrouxamento na política monetária, o banco está também reduzindo o "spread" bancário - ou seja, a diferença entre os seus custos de captação e as taxas de empréstimos. Embora a redução dos juros esteja confirmada para segunda-feira, os números exatos ainda são desconhecidos. A assessoria de imprensa da Caixa fez o anúncio da queda das taxas no início da tarde, mas em seguida enviou comunicado informando que os percentuais exatos ainda estavam sujeitos a revisão. A queda de juros foi divulgada por acidente pela Caixa, e a instituição receava que o anúncio antecipado levasse ao adiamento dos negócios pelos clientes. Tem se tornado tradição os bancos anunciarem reduções dos juros logo após as reuniões do Copom. A justificativa apresentada é, normalmente, o repasse aos clientes das quedas das taxas básicas pelo BC. Mas, na verdade, os juros bancários têm pouco a ver com as decisões do Copom - salvo quando há surpresas positivas -, pois os custos de captação dos bancos estão relacionados aos juros futuros. Desde maio de 2005 vem ocorrendo uma acentuada queda nos juros no mercado futuro, antecipando as decisões do Copom. A partir de então, a taxa do swap de 360 dias caiu mais de quatro pontos percentuais, de 19,2% para 15,1% ao ano. Mas as estatísticas do BC mostram que os bancos, de forma geral, repassaram apenas parte dos ganhos para a sua clientela - e que, portanto, há gordura nas taxas dos empréstimos a ser queimada.