Título: Combustíveis são único fator de pressão da inflação
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 08/03/2006, Brasil, p. A2
Com uma pressão menor dos combustíveis e queda nos preços dos alimentos, o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) de fevereiro, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou negativo em 0,06%, abaixo das expectativas dos analistas. Os preços no atacado, que representam 60% do índice geral, cederam 0,12%, frente uma elevação de 0,81% em janeiro. Os produtos agrícolas contribuíram bastante para esse resultado, pois mostraram deflação de 0,77%. Já os industriais subiram um pouco (0,08%), mas ainda permanecem bem comportados. "Na parte agrícola, com exceção da cana-de-açúcar, tudo está em queda", diz Tatiana Pinheiro, economista do ABN Amro Bank. Segundo ela é um bom sinal, pois as matérias-primas dos alimentos industrializados como carne, grãos e até as lavouras para exportação (soja, café e cacau) estão em deflação. O preço de bovinos, por exemplo, cedeu 1,71%. A soja teve queda de 4,22% em seus preços. A cana ainda veio em alta: 3,63%, mas é um número menor do que o de janeiro, quando subiu mais de 6%. Do lado dos produtos industrializados, o álcool etílico pressionou, com uma variação positiva de 6,19% nos preços. Assim como a cana, é uma elevação menor do que a do mês anterior, quando subiu 7,64%. "Para março, a alta de preços deve desacelerar ainda mais, porém, a cana e seus derivados vão continuar a ser um ponto de pressão para cima na inflação", analisa Sérgio Vale, da MB Associados. Mas, como a deflação nos preços de alimentos e vestuário deve deixar de ocorrer em março, a expectativa da consultoria é de que o IGP deste mês fique em 0,25%. A economista do ABN lembra que para este mês é possível que os índices de preços do atacado já tragam os impactos de aumento do minério de ferro. O reajuste deverá ser definido em breve. Mas deve ter um impacto bem menor do que o realizado em 2005. "No ano passado, o reajuste ficou em 71,5%. Agora, não deve passar de 20%", projeta Vale. Em fevereiro, os demais índices que compõem o IGP também apresentaram redução em relação a janeiro. O IPC, que mede os preços ao consumidor, ficou em 0,01%, ante 0,65%. O INCC, que mede os preços da construção civil, recuou de 0,34% para 0,19%.