Título: Para Tasso, é "improvável" que Serra dispute SP
Autor: Maria Lúcia Delgado, Cristiane Agostine e Caio Jun
Fonte: Valor Econômico, 09/03/2006, Política, p. A12
Eleições Cúpula do partido volta a se reunir na sexta para bater martelo sobre candidatura tucana
Na sexta-feira, os principais dirigentes do PSDB reúnem-se em São Paulo para ouvir as últimas ponderações do governador Geraldo Alckmin e do prefeito José Serra e, finalmente, bater o martelo sobre qual dos dois será o candidato à Presidência da República. O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), classificou ontem de "muito improváveis" as duas últimas especulações que circulavam no meio político: a candidatura de Serra ao governo de São Paulo e a formação de uma chapa puro-sangue, com um tucano também na vice-presidência. Tasso e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), trabalham com o cenário de que a regra da verticalização das alianças será mantida para a eleição de outubro deste ano e dão como certa a união das legendas na chapa presidencial. Estarão em São Paulo, além de Tasso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que chega hoje do Equador, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que antecipou a volta do Canadá. Serra e Alckmin poderão participar da reunião. Segundo Tasso, ainda não há hora marcada, nem local definido para o encontro. Tucanos e pefelistas envolvidos nas negociações consideram que é grande a possibilidade de Alckmin ser o candidato. Em clima de quem está com o jogo ganho, Alckmin reafirmou em São Paulo que confia na unidade partidária e propagandeou que a decisão está "muito próxima" de ser divulgada. E mostrou-se confiante de que receberá o apoio de Serra a sua candidatura. "Depois da escolha, todo mundo deve estar unido para trabalhar pelo escolhido e pelo programa para o país ou para o Estado". Alckmin tergiversou sobre a possibilidade de Serra disputar o governo do Estado. "Ninguém teve nenhuma conversa comigo a esse respeito, nenhuma. Nem o prefeito, nem o presidente do partido, nem o presidente Fernando Henrique, nem o governador Aécio Neves. Quem deve se manifestar é o próprio prefeito", comentou ontem. Já o prefeito repetiu a estratégia que tem usado nos últimos dias, de não comentar nada sobre sua possível candidatura. Disse apenas que falará quando o momento for oportuno. Em reunião realizada na noite de ontem, na liderança do PSDB no Senado, parlamentares do partido analisaram o cenário e receberam informações de Tasso sobre o clima entre Alckmin e Serra. O presidente do PSDB está otimista com a retomada do diálogo entre os dois, que conversam diariamente nos últimos três dias. "Serra terá a grandeza de aceitar qualquer definição", disse na reunião, conforme relatos dos presentes, o líder do PSDB, Jutahy Júnior (BA), aliado do prefeito. Também está acertado que o anúncio será feito num ato solene, com a presença de todos os governadores e dos protagonistas do drama. A expectativa é que o anúncio ocorresse na segunda-feira, mas como é dia 13, o PSDB desistirá. "Eu nem saio de casa no dia 13", brincou Tasso, supersticioso. Além disso, 13 é o número do PT. Na reunião de ontem, os tucanos discutiram que Serra só poderia disputar o governo de São Paulo se houvesse pesquisas sobre essa hipótese. Além disso, políticos do PSDB apostam na tese de que há chance de vitória independente do candidato. O partido, no entanto, está bem mais cauteloso. "O PSDB já chegou a achar que essa eleição seria um passeio", analisou um tucano. Mesmo os interlocutores mais próximos de Serra têm dúvidas sobre o que se passa na cabeça do prefeito. "Ele só está revelando o que pensa, de fato, para o Tasso", admitiu um tucano. Nas conversas reservadas, os dirigentes tucanos também desabafam sobre o excesso de críticas ao longo do processo decisório. Tasso, FHC e Aécio, escolhidos pelo partido para conduzir a escolha do candidato, consideram que foi um equívoco o partido achar que tomariam uma decisão autoritária. "Em nenhum momento eles quiseram decidir em nome de ninguém", disse um parlamentar do PSDB. Os danos que essa prolongada escolha trouxeram ao partido ficaram patentes com a resistência, inimaginada até meses atrás, de pré-candidatos tucanos a ceder a vaga a uma eventual candidatura de Serra ao governo paulista O vereador José Aníbal é o mais empenhado nesse sentido e tem dito que levaria a sua candidatura "até as últimas conseqüências". Isso foi dito ontem a Tasso e ao presidente paulista da legenda, Sidney Beraldo. Essa resistência não ocorre com o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, também pré-candidato ao governo paulista. Ele afirma que, caso o prefeito queira disputar o Palácio dos Bandeirantes, vai retirar sua candidatura. "Se o Serra quiser ser candidato a governador, minha campanha automaticamente termina", disse. O líder do PSDB na Câmara e também pré-candidato, Alberto Goldman, descarta completamente essa hipótese como solução para o impasse entre Alckmin e Serra. "Isso não existe. É invenção de alguém, pura fantasia. Nem vou pensar nesse assunto."