Título: Discussão ainda é embrionária na América Latina
Autor: Daniel Rittner
Fonte: Valor Econômico, 09/03/2006, Empresas %, p. B3
A discussão sobre TV digital na América Latina ainda é embrionária e está atrasada em relação ao Brasil. A exceção é o México, que já adotou o padrão americano. Os demais países aguardam a a definição do Brasil - mas ela não deve ser decisiva, principalmente se ficar confirmado o favoritismo do padrão japonês. A tendência é que o padrão americano domine a região. Na Argentina, há uma forte pressão pela adoção do sistema americano, mas o país espera a decisão do Brasil. O interesse é integrar os sistemas, para que os países tenham vantagens competitivas. O Chile ainda não optou, mas o padrão americano está em teste e foi recomendado pela Associação Nacional de Televisão. Os estudos sobre a migração começaram a ser feitos em 1999. Na América Central, a questão que mais preocupa é o investimento nos aparelhos. O custo é visto como um entrave na migração do sistema analógico para o digital. As emissoras ainda estão longe de adotar um sistema, apenas alguns canais de TV a cabo já operam em alta definição. "A influência americana na América Central é muito forte, inclusive pela proximidade", afirma Carlos Castillo Balboa, gerente de vendas e marketing da Samsung Electronics do Panamá. A Colômbia sequer começou a discussão sobre o padrão digital. Até dez anos atrás, a TV ainda era estatal e os dois principais canais começam a receber agora o retorno dos altos investimentos que fizeram pela licença de exploração dos sinais. "A discussão na Colômbia deve ser postergada ao máximo", afirma Andres Fuentes, executivo da Samsung. Ainda que esteja longe de uma definição, o padrão americano é tido como o favorito também na Colômbia. Até porque, o país não tem fábricas e importa televisores do México, que já adotou o padrão americano. País mais avançado da América Latina na implantação do modelo digital, o México já tem cerca de 40% do território coberto por alta definição. Até o fim do ano, as maiores cidades do país e os municípios que fazem fronteira com os Estados Unidos já estarão totalmente cobertos pelo sinal digital. Os dois principais canais, Televisa e Azteca, já estão em fase de transição, assim como a Cablevision, que transmite canais como Discovery Channel, ABC e CBS. O país tem até 2021 para fazer a mudança completa do sistema. O México - grande exportador de televisores para os Estados Unidos - já está produzindo TVs com conversores. Segundo Fernando Alba Arellano, gerente de áudio e vídeo da Samsung México, de um total de 4 milhões de aparelhos, 400 mil já estão sendo produzidos com o sistema digital. Para o vice-presidente da Samsung, José Roberto Campos, a adoção do padrão japonês no Brasil pode dificultar as exportações, principalmente para a América Latina, já que são grandes as chances de o país ser o único -talvez ao lado da Argentina - a fazer essa opção. "A Samsung tem as três tecnologias, mas a européia e a americana dão mais economia de escala e abrem uma gama maior para exportação", afirma Campos. O Brasil, atualmente, exporta 20% da produção de televisores. São cerca de 2 milhões de unidades, grande parte para a América Latina.