Título: Para Rigotto, verticalização não afeta prévias
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2006, Política, p. A6

O pré-candidato a presidente pelo PMDB e governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, afirmou ontem em São Paulo que a imposição da regra da verticalização pelo TSE não impedirá a realização das prévias da legenda, marcadas para o dia 19 de março e na qual ele disputará com a definição do partido com o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. "A prévia é irreversível. Mantida ou não verticalização, elas acontecerão", disse ontem em São Paulo, onde participou de um ato em apoio a sua candidatura em uma churrascaria. O evento foi liderado pelo ex-governador paulista Orestes Quércia, um dos principais apoiadores da candidatura Rigotto. Estiveram presentes dezenas de prefeitos e vice-prefeitos paulistas, além de deputados federais e estaduais. Com o retorno da verticalização, a candidatura do PMDB ficou ameaçada pela ala governista da sigla, liderada pelos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), que querem evitar problemas na formação das coligações regionais, já que a regra determina que as alianças estaduais devem seguir a formação da aliança nacional. Nesse cenário, a leitura que os dois pré-candidatos e seus aliados fazem dessa possibilidade são diferentes. Enquanto os pró-Garotinho acusam os governistas de se aproveitarem da nova situação criada pelo TSE para barrar as prévias e, consequentemente, a candidatura própria, o próprio Rigotto sinaliza não crer nessa possibilidade. "Sempre houve um interesse da cúpula governista em arrumar um pretexto para adiar as prévias do dia 19 de março. E a imposição da verticalização cai como uma luva nessa pretensão", afirma o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aliado de Garotinho. Por sua vez, Rigotto descarta haver a possibilidade de uma ação coordenada pelos governistas do partido para impedir as prévias ou a consolidação de uma candidatura própria. Isso porque, de acordo com ele, tal movimento "encontraria uma forte resistência na base partidária". Ainda assim, interlocutores de ambos os lados estão certos de que a eventual tentativa de cancelar ou adiar as prévias não será a primeira manobra dos governistas para barrar a candidatura própria, vista por eles como um grande empecilho para a consolidação das alianças regionais. Uma vez escolhido o candidato nas prévias pelos cerca de 21 mil delegados, a decisão precisa ser referendada em uma convenção ainda sem data marcada, da qual participam cerca de 700 lideranças. Embora partidários de Garotinho e de Rigotto afirmem que o embate das prévias é difícil pela quantidade de eleitores que dela participam, há o receio de que haja uma manobra dos governistas para que a convenção as anule.