Título: Delegado diz ter provas contra Palocci
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2006, Política, p. A12
O delegado de Polícia Civil da seccional de Ribeirão Preto (SP), Benedito Valencise, prestou depoimento ontem à CPI dos Bingos e apontou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, como um dos responsáveis pelas irregularidades encontradas no sistema de limpeza pública do município. "É evidente a participação do primeiro prefeito (Antonio Palocci) e do segundo prefeito (Gilberto Maggioni) nas fraudes. O esquema era muito grande e não seria possível que tivesse ocorrido com a participação apenas de funcionários subalternos", denunciou. Ele afirmou que não baseia suas opiniões sobre o envolvimento de Palocci apenas no depoimento do ex-assessor do ministro Rogério Buratti. Ele apontou a existência de notas ficais falsas como um dos principais indícios da corrupção. "Com as provas que eu tenho, eu o indiciaria", afirmou. O relatório da Polícia Civil de Ribeirão está quase pronto e deverá ser enviado à Justiça em breve. As denúncias em relação a Palocci recaem principalmente sobre o contrato firmado com a empresa Leão Leão. Haveria erros propositais nas medições do lixo da cidade, o que resultaria em superfaturamento dos contratos. Valencise explicou como funcionava o esquema: "Aparentemente, a ordem vinha do prefeito e era um acordo entre ele e o proprietário da empresa. A ordem era repassada pelo prefeito para a ex-superintendente do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto, Isabel Bordini. Ela apenas cumpria a determinação", disse. A Leão Leão devolvia parte do superfaturamento ao prefeito e a Ralf Barquete, ex-assessor de Palocci, segundo o delegado. As respostas de Valencise às perguntas dos senadores foram incriminando Palocci gradativamente e os senadores petistas presentes ao depoimento se irritaram com o delegado. O PT, então, tratou de desqualificar o depoente. Os senadores petistas Eduardo Suplicy (SP), Tião Viana (AC), Ideli Salvatti (SC) e Flávio Arns (PR) apresentaram diversas denúncias encaminhadas a eles nos últimos dias sobre torturas praticadas por Valencise na região de Ribeirão Preto. "O Congresso não pode se prender a uma denúncia de quem não tem compromisso com a ética e à Constituição", disse Tião Viana. Valencise se defendeu. Disse que as denúncias não são novas e foram feitas por pessoas condenadas. "Quem me denuncia são traficantes e outros criminosos condenados; quem denuncia o prefeito (Palocci) são seus homens de confiança". Viana saiu em defesa do ministro. "Não há provas contra Palocci. Só o depoimento do Buratti", disse Viana. Segundo o senador, todas as testemunhas apontadas pelo delegado e ouvidas pela CPI não conseguiram acusar o ex-prefeito. "Todas as pessoas que ouvimos, mesmo aquelas apontadas pelo delegado como as melhores testemunhas, dizem que não têm qualquer condição de apontar o prefeito como responsável", disse Viana. O delegado afirmou que Maggioni e Palocci poderão ser indiciados por falsidade ideológica, peculato e formação de quadrilha. Os donos da Leão Leão e Isabel Bordini são apontados no inquérito como co-autores nos crimes de falsidade ideológica e peculato. (TVJ)