Título: Déficit comercial dos EUA supera previsão e bate novo recorde
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Fonte: Valor Econômico, 10/03/2006, Internacional, p. A13

No vermelho Compras de petróleo e da China fazem importação crescer; demanda deve continuar forte O déficit comercial dos EUA aumentou para um novo recorde em janeiro, de US$ 68,5 bilhões, devido ao aumento dos gastos dos americanos com a importação de petróleo e de produtos chineses. Na comparação com dezembro, a alta foi de US$ 3,4 bilhões. No balanço mensal, os EUA aumentaram suas exportações em US$ 2,8 bilhões, para US$ 144,4 bilhões, mas importaram US$ 182,9 bilhões, alta de US$ 6,2 bilhões. As importações de petróleo contribuíram para a alta nas importações. A commodity representou US$ 22 bilhões do total das compras, US$ 1,2 bilhão a mais que o comprado em dezembro. As importações foram puxadas por ingressos recordes de bens de consumo, automóveis, equipamentos para empresas e insumos industriais como o petróleo. Já as empresas americanas exportaram quantidades recorde de insumos industriais, veículos e bens de capital, entre os quais aeronaves. O déficit com a China, como sempre, cresceu de US$ 16,3 bilhões para US$ 17,9 bilhões, o que deverá continuar dando munição para congressistas e setores da indústria críticos à política cambial de Pequim, que acusam de forjar competitividade os produtos chineses ao manter o yuan artificialmente desvalorizado. O déficit registrado em janeiro com o comércio de produtos e serviços foi maior do que o previsto e se seguiu ao déficit de US$ 65,1 bilhões de dezembro de 2005. Uma melhora da balança comercial americana é improvável nos próximos meses, segundo economistas, já que o crescimento econômico dos EUA tem superado o da maioria de seus parceiros comerciais. O apetite americano por artigos de vestuário da China, produtos eletrônicos do Japão e automóveis e peças automotivas do Canadá e do México deve manter o déficit comercial próximo de seu recorde durante todo o primeiro semestre de 2006, prevêem os economistas. "Esse é um reflexo da forte demanda dos EUA", disse Jim O'Sullivan, economista-sênior da UBS Securities de Stamford. "O crescimento da Europa e do Japão com certeza não vai ajudar, mas, enquanto a demanda interna não desacelerar, não teremos uma grande reviravolta com relação ao déficit comercial." Os economistas previam que o déficit de janeiro ficaria em US$ 66,5 bilhões frente aos US$ 65,7 bilhões de dezembro passado. Com o Brasil, os EUA registraram um déficit mensal de US$ 623 mil em janeiro, um pouco superior ao de dezembro (US$ 609 mil). Os americanos exportaram o equivalente a US$ 1.390 milhão e compraram US$ 2.013 milhões em produtos brasileiros. O fortalecimento do mercado de trabalho dos EUA está proporcionando aos consumidores meios para ampliar seus gastos. Prevê-se que um relatório a ser divulgado hoje pelo Departamento do Trabalho dos EUA mostrará que os empregadores americanos criaram 210 mil postos de trabalho em fevereiro passado, o maior nível dos últimos três meses. Ontem, o governo americano divulgou também que os pedidos de seguro-desemprego registraram alta de 8 mil solicitações, passando ao total de 303 mil na semana passada, patamar que ainda sinaliza a robustez do nível de emprego.